terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Autodomínio e Sobriedade

A vida humana se manifesta paralelamente em duas dimensões, em duas realidades que se entrelaçam, que coexistem, que se influenciam mutuamente, mas que são relativamente independentes. Vivemos na dualidade de dois planos de existência: a vida biológica, no plano físico, regida pelas leis da física, da biologia, da química, pelas leis dos homens, da sociedade, da cultura, e paralelamente também vivemos a vida do espírito, que obedece a um conjunto diferente de leis. Esses dois mundos, na vida humana em geral, se opõem, se contradizem, se embatem. O desafio, o aprendizado para o ser humano é o de abraçar essas duas realidades de forma que coexistam em harmonia, vibrando em uníssono, buscando a mesma direção e um só objetivo, que é a vida por Cristo, com Cristo e em Cristo. O apóstolo Pedro nos pede o autodomínio e a sobriedade, a vida em oração e em caridade, no amor e no cuidado ao próximo, no abandono das devassidões, da idolatria, dos exageros das paixões do corpo. Esta é uma tarefa monumental, que exige esforços concentrados, uma vontade firme, uma certeza robusta da supremacia da vida do espírito.

A  vida do espírito é invisível aos olhos materiais, portanto, parece ser mais fraca, pois o ser humano tende facilmente a seguir apenas aquilo que consegue ver, escutar, compreender da dimensão palpável, objetiva, comum, do mundo físico. Seguir a diretriz do espírito requer uma disciplina constante, uma vontade firme e serena, uma disposição interna para o sacrifício pessoal, para a renúncia, para o amor Àquele que tudo cria, que nos doa a vida, que gera o tempo, que nos dá a consciência. O amor e a gratidão à Deus são o motor, a fonte, o combustível para a vida disciplinada, de sobriedade, de oração. O abandono das paixões do mundo requer uma fé no invisível, uma certeza na presença divina, que é maior que os ganhos efêmeros, que os prazeres fugazes do mundo físico.

O mundo espiritual coexiste, convive, perpassa o nosso cotidiano físico, material, de forma invisível, imperceptível aos sentidos. Mas esta presença e esta influência é perceptível pela consciência e pelo coração. Com a mente em prece, com o coração na sintonia do Amor, nos deixamos orientar pela vida do espírito e guiamos nossos passos no mundo pela força da Luz que vem até nós, em nosso auxílio.

Que consigamos vencer o mundo e suas ilusões, na certeza da vida verdadeira do espírito.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O Reino de Deus

O coração que encontra Deus se dilata de amor, de adoração, de gratidão. Encontrar-se com Deus nos prostra na impossibilidade de guardar qualquer outro sentimento no coração que não seja de louvor, de adoração, de amor. Ao abrir o coração para escutar a voz silenciosa de Deus somente um sentimento invade o ser: o maravilhamento, o deslumbramento, o êxtase diante desse poder indizível, indescritível. A oração é o momento em que a alma abre o coração para ser tomado por este sentimento de adoração, de amor e de louvor. Não há espaço no coração para nenhum outro sentimento, tudo se transforma em graças, em gratidão indizível, em louvor, em adoração àquele que é puro amor, bondade, justiça, sabedoria, misericórdia e paz. Todos os outros sentimentos, em sua pequenez, em sua insignificância, se dissolvem, são aniquilados, invadidos e tomados pela graça do amor. O amor a tudo, a todos. O amor que nos torna Um com toda a criação, o sentimento que ao ser descrito em palavras se limita, se restringe, pois é um sentimento anterior a qualquer palavra.

Na vida em oração, esse sentimento de amor, de adoração, está presente continuamente. A cada instante, tudo é feito, tudo é pensado, tudo é dito a partir desse sentimento, deste estado de comunhão. A vida em oração é a vida que flui, que pulsa, que vibra a partir do Amor de Deus. A oração alimenta a alma com o pão celeste, nutre o ser em suas profundezas ao ampliar a conexão com o Amor Divino. 

Na oração, as portas do coração  são escancaradas e a presença do Pai de Amor é sentida com maior intensidade. Mas ao retomarmos nossas atividades habituais do cotidiano, nós facilmente fechamos as portas do nosso coração e nos sentimos famintos, pobres, cansados, carentes. O esforço da vida em oração é o de deixar a porta escancarada constantemente para que nunca mais se feche, para que a vivência da graça, do amor, seja inabalável e constante. Mas as distrações do mundo, os apelos da matéria, as necessidades biológicas chamam a nossa atenção e, desatentos, deixamos as portas se fecharem. Por isso, a oração deve se unir à vigilância, para que a sintonia do amor, para que a expansão do sentimento, para que a abertura do coração permaneça sempre, pois essa é a vontade do Nosso Pai que está nos Céus.

Se o ser humano, ao invés de buscar tão desesperadamente, ansiosamente, o pão da carne, o alimento material, dirigisse, canalizasse esses esforços, essa busca, para o pão do espírito, o mundo se transformaria por completo e a vida humana se tornaria uma vida santificada na luz, na presença de Deus. Buscai primeiramente o Reino de Deus e tudo o mais lhe será dado por acréscimo. Infelizmente, o ser humano ignora os ensinamentos do Cristo e vive de maneira oposta, buscando primeiramente o reino material, os seus prazeres e confortos, acreditando que o reino de Deus lhe será dado por acréscimo, quando sobrar tempo, nas horas vagas. Ou então, busca-se a Deus na dor, na aflição; quando as necessidades materiais não conseguem ser atendidas, então, o ser humano volta-se para Deus.

Tanto sofrimento seria evitado se escutássemos e seguíssemos as palavras do Nosso Redentor: Buscai primeiro o Reino de Deus e sua Glória. E o Reino de Deus nós buscamos inicialmente na oração. É através dela que temos a clareza e o discernimento das ações, das palavras, das atitudes que devemos tomar no mundo. Se não estivermos com o coração de portas escancaradas na oração, no louvor, no amor, nossos atos e palavras, nossas atitudes não nos levarão ao Reino de Deus, mas nos conduzirão ao reino dos homens.

Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Aí está toda a Lei. Obedecei.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

A Luta entre o Bem e o Mal

Cada dia que inicia em nossas vidas é uma benção, oportunidade renovada que nos concede o nosso Pai de Amor. Que possamos acolher a dádiva de cada dia com o reconhecimento da imensidão, da grandiosidade dessa graça. Possuir um corpo, habitar esse planeta, viver imerso num mundo de necessidades materiais, trabalhar, conviver com outros irmãos, são oportunidades únicas, de valor inestimável. No entanto, o ser humano, de maneira geral, principia o dia no automatismo biológico e mental, levando adiante os hábitos, cumprindo as tarefas, buscando a satisfação de necessidades e prazeres do corpo e da mente, sem ter a consciência  da verdadeira dimensão, do sentido profundo da labuta de cada dia e da vivência de cada amanhecer. Quando a consciência está desperta, cada novo amanhecer, cada novo dia, é recebido com imensa gratidão, com assombro, com enlevo, com sentimento profundo de graças ao Pai pela dádiva do tempo, da vida corporal, do aprendizado e da renovação de cada dia e de cada instante.

A consciência desperta nos permite ver além das aparências do sentido comum, nos torna conscientes das responsabilidades, das consequências dos automatismos, e nos torna vigilantes de cada pensamento e das atitudes que brotam do nosso coração. Quando a consciência desperta, as faltas para com a Lei do Amor são sentidas com profundo pesar, mas também as alegrias do Amor Divino são sentidas mais vividamente, mais intensamente.

A cada dia, no planeta, bilhões de almas coabitam, interagem, coexistem. Cada qual em seu momento pessoal, particular, de aprendizado e de abertura consciencial. Milhões estão ainda adormecidas, vivendo simplesmente nos automatismos biológicos e mentais, vivendo cada dia no horizonte limitado pelas necessidades biológicas e pelas pulsões dos instintos. Mas no meio  delas, espalhadas por toda o planeta, há também milhões de consciências já despertas, em diferentes graus, que procuram a Deus, que buscam a verdade, que sentem a necessidade do amor e da transcendência. Nessa convivência de espíritos adormecidos e espíritos em diferentes graus de despertamento, é que se trava aquilo que é chamado de 'a luta entre o bem e o mal', ou o combate da luz com as trevas.  Por todo o planeta, em cada interação humana, em cada espaço de convivência, ocorre essa disputa pela primazia do espírito e pelo domínio da carne: os instintos, os impulsos do orgulho e do egoísmo resistindo aos chamados para a renúncia e o desapego, resistindo às pulsações do amor.

Como o amanhecer que lentamente, gradualmente, se insinua, se anuncia e se faz presente dissipando  o véu da noite e preparando para o despertar do novo dia na potência irradiante do sol, que transborda o planeta de vida, de luz e de calor, assim também os embates cotidianos entre a noite e o dia, entre o sol e a escuridão, serão vencidos inexoravelmente pela majestade irresistível do Amor. Toda a treva será extinta quando o sol glorioso do Cristo no seu Evangelho de amor e libertação brilhar majestoso no céu de todos os corações. 

Vivemos a ante-hora do amanhecer, sentimos o inquietamento da natureza e do ser que pressentem a mudança, o despertar, o alvorecer. Tenhamos sempre o bom ânimo, confiantes, na certeza do sol que nos aguarda por detrás do horizonte, na paz e quietude da alma que se alegra ao aguardar a alvorada da nova vida.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O Chamado

A fé é a fortaleza do espírito.

A fé vem do espírito que é tocado pela Misericórdia e Graça do Pai, a fé não vem dos homens. A fé não é um conjunto de dogmas a serem seguidos, a fé não é um corpo doutrinário a ser obedecido, porque os dogmas e as doutrinas são dos homens. A fé é a fortaleza do espírito que vem diretamente de Deus. A fé se escuta como um chamado no coração e se revela aos olhos na visão espiritual da realidade suprema. A fé fortalece o espírito na sua labuta cotidiana, nos percalços, nos obstáculos, nas armadilhas do caminho. A fé não é cega, porque a fé é luz; é luz que revela a verdade por trás das aparências e a realidade por trás das ilusões. A fé de Paulo foi despertada em seu encontro direto com Jesus Cristo, que o chamou. A visão do Senhor transformou o coração de Paulo, despertando nele o apóstolo destemido, apaixonado, desbravador, forte na certeza da fé que lhe foi despertada pelo próprio Cristo.

Cada um de nós possui seu momento pessoal de despertamento da fé, quando Nosso Senhor Jesus Cristo vem diretamente a cada um de nós nos chamar para o apostolado da verdade, da palavra de vida eterna. Cristo toca nossos olhos e com a visão espiritual subitamente vemos tudo com clareza, compreendemos o que Deus quer de nós. Com alegria profunda, que apenas a fé verdadeira pode trazer, nós acolhemos o chamado na certeza de que agora nossa vida se plenifica de sentido. Neste momento, tudo o mais que vivemos neste mundo torna-se apenas momentos de preparação para o sim.

Como os noivos se preparam por longo tempo para vida no matrimônio, preparando a nova morada, desfazendo-se de velhos laços e compromissos para assumir o compromisso sagrado e eterno da vida em comunhão com o seu parceiro no amor, assim também aquele que é chamado para o matrimônio espiritual, para a comunhão no Amor Divino da vida missionária precisa se preparar, preparar sua nova morada, desatar os laços e compromissos que o prendem à vida comum, junto aos homens, na descrença, no abandono de Deus e da Lei do Amor.

Quando os preparativos terminam, é a hora do sim, do novo compromisso que se estabelece na alma com o seu Criador. A fé é o laço que nos une ao Criador, laço indestrutível, que nos fortifica, que pacifica o espírito e que revela o caminho a seguir a cada dia. O destino final a Deus pertence, mas o espírito imerso na fé confia e nada teme, e se entrega a este matrimônio, a este compromisso com o seu Esposo, em êxtases de amor e alegria na promessa da vida plena.

Que os apóstolos do Cristo que vieram antes de nós nos fortaleçam no nosso chamado de hoje. Que a fé no Nosso Senhor Jesus Cristo, Nosso Salvador, Nosso Redentor, remova as montanhas de pecados de nossa alma.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O Perdão do Cristo

O autoconhecimento é a chave fundamental para a abertura do ser interior para receber as Glórias Divinas. Conhecer-se é reconhecer-se pecador, é reconhecer a imensidão das faltas, das ofensas para com a Lei Divina: “a humildade é a verdade”. Aquele que se conhece, sabe da imensidão dos seus erros, das suas imperfeições, dos seus vícios, das suas faltas. Se conhecêssemos tudo o que há em nosso ser, seríamos certamente aniquilados pelo sentimento de culpa. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo veio até nós para nos trazer a Misericórdia,  a libertação e a cura dos nossos pecados.  O Amor do Cristo nos perdoa. Seu Amor por nós, que se manifestou como sacrifício, como martírio, na Sua paixão na cruz, em que ofereceu o Seu sangue por nós, Seu Amor vem até cada um de nós do alto da Sua cruz, olhando-nos com bondade e Misericórdia, pedindo ao Pai que nos perdoe pois não sabemos o tamanho, a imensidão e as consequências de nossas faltas.

Senhor, trazemos em nós uma montanha de iniquidades, dia após dia, noite após noite, em desobediência à sua lei, somos recalcitrantes no orgulho, na rebeldia, buscando o nosso próprio prazer antes da obediência à Sua Lei, regidos pelo amor próprio, pelo narcisismo, pelo orgulho e pelo egoísmo.  A lista, a relação dos nossos momentos de pecado, de faltas para com a Lei, é colossal, impagável. Somos teus devedores, Senhor.  Perdoa-nos, Pai, e não nos deixe pecar mais. Liberta-nos do mal e que, ao receber a dádiva e a graça do seu perdão, nós nos transformemos como a pecadora que lavou os Vossos pés com suas lágrimas de gratidão. Que nós nos transformemos, abandonando nosso eu pecador, orgulhoso, arrogante como o fariseu, e tenhamos a humildade de apenas nos prostrar a seu pés e chorar, chorar, porque não somos dignos do Vosso perdão.

Mas Senhor, Vós nos perdoa e nos ama não por sermos dignos, não por sermos merecedores, mas porque Vosso Amor é Incondicional.  Vós conheceis todos os nossos pecados e, ainda assim, estende a Sua mão, o Seu sorriso, nos olha com piedade e nos chama para junto a Si, para lhe fazer companhia em seu Reino de Amor. Sim, Senhor, queremos segui-Lo e não queremos pecar mais.

Queremos transformar a nossa morada interior em um castelo de luz para nele habitar a Vossa Majestade, o Senhor do Mundo, e para viver em obediência, em servidão na vida plena de amor, na realização da Vossa Vontade. Eis-me aqui, Senhor, aos seus pés, indigna do seu Amor, mas trago o meu coração repleto de amor por Vós, trago as minhas lágrimas de arrependimento e de gratidão e beijo os Seus pés e sinto a vida invadir o meu ser e me levar ao seu Santuário, envolvida no Seu Amor. Que o Nosso Senhor Jesus Cristo seja louvado, que sua Paz esteja em nós!    

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O Mandamento do Amor

Aquele que ama a Deus, cumpre os seus mandamentos. E os seus mandamentos são leves: todos os seus mandamentos se resumem à Lei do Amor. O amor é leve. O amor liberta a alma do sofrimento, da dor.  O amor levanta o coração caído, desmotivado, desanimado. O amor traz a vida, o alento, a alegria ao coração descrente de sentido. O Amor é o Mandamento de Deus, é tudo o que ele nos pede: que amemos Aquele que nos gerou e que amemos tudo o que Ele gerou, toda a sua criação, todos os seus filhos.

Amar a Deus é amar os seus filhos. O Amor é o sentimento que abre nosso coração para receber tudo o que nos rodeia, tudo o que percebemos, tudo o que está presente em nossas vidas. Amar um desconhecido, significa louvá-lo como filho de Deus, bendizê-lo, irradiar sentimentos de ternura e compaixão, contemplar, em prece, essa pessoa que não conhecemos, mas que sabemos que Deus a ama, que Jesus a ama. Por isso nós também a amamos.

Amar a Deus é amar os que nos ofendem. Amar nossos inimigos também é leve, pois nos liberta do rancor, da mágoa, da dor da ofensa. O perdão nos une a Deus,  pois ao perdoar também somos perdoados.

Amar a Deus é amar toda a natureza, a obra divina, o universo perfeito, sublime, além da nossa compreensão, inconcebível em seu esplendor e grandeza. Amar o universo amplia nossos sentimentos, dilata nosso coração na contemplação do poder inconcebível que transcende nosso mero entendimento.

E amar a Deus é também amar a nós mesmos, seus filhos, criados à sua imagem e semelhança. No centro do nosso Ser, Deus depositou Seu diamante, uma Centelha de Luz, Sua fagulha, e desse centro irradia a Sua verdade. Nesse centro Ele mora e habita, se faz presente em nossas consciências, nos recordando, nos trazendo vislumbres do que é a vida em comunhão com o Pai. E do centro do nosso Ser, em nosso coração, Deus pulsa no amor, Deus vive no amor que vive em nós.

É amando que comungamos com o amor de Deus. É amando que nos tornamos Um com o Pai. É amando que vibramos em uníssono na harmonia e melodia da sua criação e nos tornamos co-criadores, colaboradores, participantes de sua obra.

Amai-vos uns aos outros, amai o seu próximo como a si mesmo, amai a Deus sobre todas as coisas. Esta é a Lei, este é o Mandamento. Para isto, existimos. Este é o nosso destino e nosso começo. O princípio, o fim e o meio: Amor.  


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A Luz do Mundo (II)

"Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo". Tendo dito isso, cuspiu na terra, fez lama com a saliva, aplicou-a sobre os olhos do cego e lhe disse: "Vai lavar-te na piscina de Siloé" - que quer dizer "Enviado". O cego foi, lavou-se e voltou vendo claro.  (Jo 9, 5-7)

Nós somos tocados pela saliva do Cristo, que representa Sua Palavra, a Palavra de Salvação do Evangelho.
A Palavra Redentora do Cristo nos retira a cegueira espiritual e nós retomamos a visão.
Nós escutamos o Cristo e vemos.
Vemos que ele é a Luz Divina, enviada pelo Pai Celeste para nos revelar o caminho da Redenção e da Comunhão com o Pai.
Cristo veio nos mostrar o Caminho de retorno à casa do Pai, que é o caminho do Amor e da Fé.
Cristo nos restitui a visão e vemos que fora do Amor não há salvação. 
Vemos o Amor de Deus em tudo que existe.
Sentimos o Amor de Deus pulsar em nossos corações.
Compreendemos que tudo que existe é obra do Amor de Deus.
Compreendemos que somos Filhos do Amor e que nada nos faltará.
Vemos a Misericórdia do Pai que olha por cada um de nós e cuida para que nada nos falte, para que tenhamos tudo que nosso espírito necessita para ascender a Ele, para se reunir a Ele na Comunhão da sua Graça.
Vemos que até nossas dores, nossas provações, nossos momentos de maior sofrimento, de maior sacrifício, foram bençãos e dádivas do Alto para nos fazer retornar a Ele, para que não prosseguíssemos no erro e no caminho do desamor.

Cristo, a Luz do Mundo!
O que era noite, torna-se dia
O que era aflição, torna-se benção
O que era pesar, torna-se alegria!

Cristo, que abre nossos olhos e nos faz ver pela primeira vez
que somos Filhos do Amor

Cristo, Luz do Mundo
que veio até nós
e que está com nós

Abrimos as portas do nosso coração
para que possas entrar!

Venha, Senhor!
Venha morar, venha habitar em nosso coração
iluminar nossa alma
dissipar a escuridão do nosso passado, de nossas faltas!

Venha habitar o centro do nosso ser
Seja o Sol em nosso coração
A Luz do Mundo
e a Luz de nossas vidas
agora e sempre! 


A Luz do Mundo

Jesus nos disse: "Eu sou a Luz do Mundo. Eu vim para que aqueles que são cegos, vejam, e para que os que veem, se tornem cegos". Palavras enigmáticas do Evangelho Segundo São João. Aqueles que veem são aqueles que supõem ver, que acreditam apenas no que os olhos materiais conseguem enxergar, aqueles que acreditam no poder da inteligência, das evidências materiais e dos raciocínios lógicos,  aqueles que acreditam em tudo que vêem, pois para eles a realidade é aquilo que se revela através dos sentidos e da razão. Esses se orgulham de sua luz e de seu saber.

Mas Jesus veio trazer a Luz aos cegos. Cegos são aqueles que reconhecem que nada sabem, que nada veem, que aquilo que realmente existe, que realmente importa, é oculto aos olhos, inacessível ao saber. São aqueles que trazem o coração humilde, pois aonde olham não veem; aquilo que buscam, não acham, pois estão em busca, querem ver aquilo que o mundo não tem para lhes dar, para lhes mostrar. Foi para eles que Jesus veio trazer a Luz, para que eles vejam e saibam que Jesus é o Enviado do Pai para nos mostrar o caminho da vida eterna, do Amor na Glória do Pai. Ele veio nos tirar da treva do desamor, da escuridão da ausência de fé, veio nos iluminar com a Sua Presença, com o Seu Amor, com a Sua Palavra. 

"Eu sou a Luz do Mundo", aqueles que buscam a luz, encontram em Jesus Cristo o sol que tudo ilumina, o amor que tudo aquece, a vida que jamais perece. Aqueles que acham que já possuem a luz e nada mais necessitam, não veem a luz do Cristo, pois que se tornam cegos. Olham para Jesus e veem apenas um impostor, escutam Sua Palavra, mas ouvem apenas histórias sem sentido, fantasias. Esses corações, essas almas, se tornam cegas diante da Luz do Redentor.

Jesus veio até nós porque sabe, conhece, que somos cegos e queremos ver. Ele nos toca, coloca terra sobre nossos olhos, a terra que simboliza a nossa experiência na vida terrena, o trabalho, o serviço, a labuta, o esforço, a nossa imersão no mundo da carne, na escuridão da matéria. E tocados pela saliva que representa a sua Palavra libertadora, nós vemos, nossos olhos se abrem, a cegueira cai e vemos a Luz, vemos além das ilusões da realidade material, vemos além das aparências, vemos a Luz do Cristo a se irradiar, a brilhar sobre tudo. Vemos a Luz do Amor de Deus, a Majestade do universo que tudo comanda, que tudo cria, que tudo sabe, que tudo governa, na Perfeição Absoluta, na sua Glória de Amor. Nós vemos, nós cremos que somos filhos de Deus, filhos do Amor, que ao terminarmos nossas experiências nesse mundo de matéria, nessa veste de carne, estaremos na vida verdadeira, libertos da dor, na Comunhão, na Graça do Divino Amor. Cristo nos trouxe a Luz e agora vemos. 

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O Embate

Somos corpo e espírito unidos, na vida, na existência no mundo. Nosso corpo possui funções vitais, impulsos, necessidades biológicas e nosso espírito possui outros impulsos, outras necessidades, de natureza espiritual. Constantemente vivemos um embate entre as necessidades do corpo e as necessidades do espírito, entre os impulsos do corpo, as pulsões da carne, e os anseios e as pulsões do espírito. O corpo não pode dominar o espírito, o corpo não pode obliterar a força do espírito, mas é o espírito que pode dominar, comandar os impulsos do corpo para que não haja mais embate,  para que o corpo seja pacificado e viva em harmonia, sob a Luz do Senhor.

As necessidades vitais da fome, da sede, do sono, do prazer sexual, são forças dominantes da vida humana. Em grande parte de nossas vidas, vivemos subjugados, o espírito vive adormecido sob o jugo dos impulsos corporais. Com o espírito adormecido, nos tornamos apenas um animal biológico, vivendo a serviço da satisfação das pulsões, das forças físicas e biológicas. Mas quando o espírito desperta, ele reconhece o poder que emana de Deus e se vê como um templo sagrado do Espírito Santo e busca a Deus, vivendo para satisfazer as necessidades do espírito e dando a primazia, o poder e a dominação às forças do espírito.

Vós podeis escolher entre viver adormecido, subjugado pelas pulsões e necessidades físicas, biológicas, ou passar o comando, o cetro, à Sua Majestade, o Espírito que reina soberano em todo o universo, e obedecer ao Pai Celeste, consagrando o corpo ao serviço do Senhor. O domínio da carne fortalece o espírito, o aproxima de Deus. Que a vontade do espírito se sobreponha nesse embate para que o corpo seja servo a serviço do Espírito Santo, da Luz Divina que vem à terra. Para que o corpo, para que o vosso ser seja instrumento dócil de Nosso Senhor Jesus Cristo, é necessário que o corpo se aquiete, se subjugue e obedeça ao comando do espírito.

O Reino de Deus está dentro de vós, o Espírito Santo te fortalece, Deus reside e fala em seu coração, tudo lhe é permitido, mas nem tudo convém para o seu desabrochar espiritual. Vosso espírito está no comando, a escolha é vossa, a quem servir, ao Espírito de Deus ou à matéria do corpo. O corpo um dia perecerá, é passageiro, é veste temporária do espírito, mas o espírito que vence o embate dos chamados do corpo, se fortalece perante Deus para os chamados do Céu. Para que a Luz dissipe a escuridão é necessário que o espírito vença a matéria. 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

O Pão da Vida

O Cristo é o Pão da Vida, o alimento que sacia a fome da alma. O pão da terra, que sustenta o corpo, é perecível, o seu sustento é breve, limitado.  Mas Cristo, o Enviado do Pai para alimentar a fome espiritual de nossas almas, é o alimento de vida eterna. Quando estamos em Cristo, nossa alma está em paz, plena, completa, nossa alma está saciada da presença divina. Não há mais dor, não há mais angústia, não há mais medo, há plenitude.  A presença do Pai nos pacifica, nos sentimos completos.

O ser humano que ignora a sua fome espiritual e que procura se alimentar apenas do pão do corpo, sente um vazio insaciável. Quantos homens e mulheres no mundo de hoje vivem a cada dia na busca desenfreada do alimento do corpo que, por ter vida tão breve e sustento tão limitado, nos prende a um ciclo constante de busca, de fome, de carência, de trabalho e suor, mas que nunca sacia plenamente a fome profunda do ser? As satisfações temporárias, os prazeres efêmeros da vida do corpo não conseguem preencher aquele anseio profundo que trazemos em nossa alma, a fome de Vida Eterna que apenas o Cristo, em Sua presença, em Sua palavra de Boa Nova pode saciar. Aquele que crê que Jesus é o Pão da Vida, o Enviado de Deus, encontra uma paz que é profunda, serena, robusta, que o sustenta em todas as tribulações da vida do mundo. Aquele que vive com a Presença do Cristo em seu coração, em sua vida, sente a coragem, a alegria, a vontade de fazer o bem, de amar, de ser generoso, humilde e bondoso porque essas são as virtudes do Pai que vive em nós.

Estar em Comunhão com  o Cristo significa viver plenamente o seu Evangelho de Amor e desapego, de fraternidade, de caridade, de cuidado para com o próximo, com o sentimento de plenitude, de vida plena, de estar alimentado e sustentado pelo Pão da Vida, o alimento imperecível. Por não sentirmos mais fome do espírito, saciados com o Amor do Cristo e no Amor do Cristo, as necessidades do corpo, as necessidades materiais, as provações e tribulações se tornam leves, suaves, pois o espírito está fortalecido e saciado. Tudo é possível quando a alma está em Deus na Comunhão do seu Amor. 


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A Penitência

O nosso mundo, o mundo que Deus criou para nós, se caracteriza pelos opostos do prazer e da dor. Esses dois extremos, que se manifestam em diversos aspectos e dimensões de nossa existência como o dia e a noite, o trabalho e o descanso, a fome e o alimento, a saúde e a doença, essa dualidade da vida gera o movimento, as transformações, os ciclos de crescimento e de expansão da consciência. Nós vivemos aprisionados no ciclo do prazer e da dor, enclausurados no movimento de fuga da dor e busca do prazer. Quando o prazer se torna o objetivo da vida, quando a fuga da dor se torna nosso único propósito, nosso único anseio, nós perdemos o rumo e interrompemos o movimento do nosso progresso e expansão da consciência. Portanto, para revertermos esse movimento que enclausura e embota a consciência na dissociação e na desconexão com a Vontade de Deus, precisamos mobilizar nosso ser para comandar, disciplinar nosso organismo e nosso coração na direção contrária, isto é, na fuga do prazer através da penitência. A provação voluntária reverte a direção do movimento automático de desejo e busca do prazer que nos enclausura na pequenez e nas limitações do mundo corpóreo.

A alma que aspira a Deus acima de todas as coisas busca se libertar das algemas do prazer e suas armadilhas que viciam a mente e o corpo em processos que anestesiam e embotam os sentidos espirituais, que estreitam a sintonia com o divino pela exacerbação e intensificação dos sentidos físicos. Quando o crente reconhece e toma consciência destes processos automáticos do desejo, ele pede a Deus a força espiritual para se libertar dos automatismos e reiniciar o movimento no sentido contrário. Este é o movimento íntimo que gera o arrependimento dos pecados, que desperta a força, o impulso e a vontade para buscar a Deus acima de tudo e abandonar os movimentos do automatismo do prazer. Este é o significado da penitência: embotar, fechar os sentidos do prazer que obliteram, que impedem e paralisam o movimento do espírito em sua conexão com Deus, na busca da expansão da consciência, do progresso e da transformação.


A pessoa que reduz sua experiência de vida às experiências de prazer dos sentidos vive como um verme no seio da terra, cavando buracos cada vez mais profundos em busca de alimento e nutrição. A pessoa que se penitencia é como o verme que se envolve no casulo da morte para preparar e gerar a transformação pelo abandono dos sentidos corpóreos para o surgimento da borboleta que, livre, pode alçar voos na direção da luz. A penitência é o momento do casulo que cessa os movimentos voluptuosos do prazer, que mortifica os sentidos para engendrar a Vida Verdadeira do Espírito que domina a matéria e alça voos na Luz e na Graça do Pai Celeste.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O que é a morte?

No sentido biológico, sabemos que a morte é a cessação das funções vitais do organismo com a consequente desorganização e destruição celular.  A ciência moderna conhece os processos subjacentes à morte biológica. Todavia, a morte no sentido bíblico não se refere a esta morte do corpo ou biológica, mas à morte espiritual. No entanto, como podemos estar mortos espiritualmente se o espírito é eterno?

O espírito está vivo quando comunga com o Pai que lhe dá a vida. O espírito que se afasta do Pai e da Fonte da Vida, mergulha nas sombras e é como se morresse, pois negou Deus em seu coração que é a única Vida. Entre nós, existem espíritos cujos corpos biológicos possuem todas as funções vitais, suas células estão vivas, suas mentes estão conscientes e funcionando no mundo, mas que, no entanto, estão mortos espiritualmente, com os corações fechados para Deus, endurecidos para o amor, aprisionados no egoísmo e no orgulho. Quantos homens e mulheres que vivem no mundo, que acordam e dormem, que comem, que trabalham, que exercem funções na sociedade, muitos com prestígio, poder e riquezas materiais, muitos deles amados, idolatrados e glorificados por outros homens e mulheres, estão na verdade, mortos em espírito?

Jesus veio para nos trazer a ressurreição, a libertação do cárcere de nosso orgulho e egoísmo, a salvação para os corações endurecidos e a vida eterna para os corações que morreram para Deus. Jesus é o Salvador que nos traz a vida eterna, basta escutar a sua Palavra, vivê-la, basta abrir o coração para receber a sua Graça e seguir os seus passos, basta renunciar ao orgulho e ao egoísmo e viver o amor em plenitude como Ele nos ensinou. Jesus nos traz  a vida eterna, a ressurreição, a esperança, a alegria e a Glória da Vida verdadeira, junto ao Amor do Pai.

Quantos homens e mulheres no mundo rejeitam seu chamado, ignoram Sua Palavra, menosprezam Seu exemplo vivo e resistem a viver a verdadeira vida! Que em nossas orações, que em nossas vidas, possamos ser instrumentos da Misericórdia de Deus para com nossos irmãos, para que todos sejam salvos e a vida seja plena em todos! Que possamos servir ao Cristo, entregando os nossos corações no trabalho santificado de levar a Palavra da Salvação e ressurreição porque é a Vontade do Pai que todos tenham a vida eterna. 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A Escolha

O Cristo ressuscitado aparece a nós a todo instante, iluminando nosso caminho e nos chamando para servi-Lo. A cada dia, Deus nos coloca diante da opção de cairmos por terra e nos prostrarmos diante de Sua Luz ou de resistirmos e mantermos o passo no caminho que dEle nos afasta. A conversão de Paulo também é nossa conversão, e ela ocorre diariamente, constantemente. Para nós, é sempre dada a escolha, Deus nada impõe aos seus filhos. Em Seu poder, em Sua bondade e Amor, Ele respeita o nosso poder de escolha, o nosso livre-arbítrio. Deus acolhe, entristecido, quando a nossa escolha é de persegui-Lo, de fugir de Sua luz, de negar Sua existência e insistir no erro que conduz à autodestruição, à escuridão profunda da noite do mal. Mas Deus não desiste de nós e, em cada instante, renova o chamado, convidando-nos para o regresso. Deus sabe que, um dia, nós O seguiremos e O buscaremos. Deus nos aguarda e nos encontra aonde quer que estejamos e escolhamos ir:  Deus ali estará, de braços abertos, chamando-nos para a Ele retornar.

Mas é somente a nós que cabe a escolha, a decisão de que rumo tomar: o rumo da autossuficiência, da desobediência à lei divina, do egoísmo, da soberba, dos prazeres e confortos do corpo em detrimento do alimento da alma e da glorificação do espírito; ou a escolha de nos jogarmos ao chão e nos entregarmos ao chamado, à Luz que nos envolve com infinito Amor e que pede apenas que O amemos, que deixemos de persegui-Lo e que nos unamos a Ele na graça do Amor.

Jesus, Filho de Deus, Enviado Celeste, visita cada um de nós, cada coração sobre a terra, e a todo instante renova o chamado. Ninguém é esquecido, ninguém é deixado para trás. Jesus vai ao encontro para buscar cada uma das ovelhas do seu rebanho porque é a Vontade do Pai que nenhuma delas se perca. Aonde estivermos, por mais escuro e desolador que seja nosso espaço interior, por mais que tenhamos nos afastado da Luz de Deus e mergulhado na treva do mal, do orgulho, do egoismo, da desobediência à Lei, Jesus ali vai nos buscar e nos chamar.

Um dia, todos estaremos guardados em Seu aprisco, um dia todos teremos escolhido o regresso ao Pai e o Reino de Deus se fará sobre toda a terra e a alegria do Pai será completa.