Cada dia que inicia em nossas
vidas é uma benção, oportunidade renovada que nos concede o nosso Pai de Amor.
Que possamos acolher a dádiva de cada dia com o reconhecimento da imensidão, da
grandiosidade dessa graça. Possuir um corpo, habitar esse planeta, viver imerso
num mundo de necessidades materiais, trabalhar, conviver com outros irmãos, são
oportunidades únicas, de valor inestimável. No entanto, o ser humano, de
maneira geral, principia o dia no automatismo biológico e mental, levando
adiante os hábitos, cumprindo as tarefas, buscando a satisfação de necessidades
e prazeres do corpo e da mente, sem ter a consciência da verdadeira dimensão, do sentido profundo
da labuta de cada dia e da vivência de cada amanhecer. Quando a consciência
está desperta, cada novo amanhecer, cada novo dia, é recebido com imensa
gratidão, com assombro, com enlevo, com sentimento profundo de graças ao Pai
pela dádiva do tempo, da vida corporal, do aprendizado e da renovação de cada
dia e de cada instante.
A consciência desperta nos
permite ver além das aparências do sentido comum, nos torna conscientes das
responsabilidades, das consequências dos automatismos, e nos torna vigilantes de
cada pensamento e das atitudes que brotam do nosso coração. Quando a consciência
desperta, as faltas para com a Lei do Amor são sentidas com profundo pesar, mas
também as alegrias do Amor Divino são sentidas mais vividamente, mais
intensamente.
A cada dia, no planeta, bilhões de almas coabitam, interagem, coexistem. Cada qual em seu momento pessoal, particular,
de aprendizado e de abertura consciencial. Milhões estão ainda adormecidas,
vivendo simplesmente nos automatismos biológicos e mentais, vivendo cada dia no
horizonte limitado pelas necessidades biológicas e pelas pulsões dos instintos.
Mas no meio delas, espalhadas por toda o planeta, há também milhões de
consciências já despertas, em diferentes graus, que procuram a Deus, que buscam
a verdade, que sentem a necessidade do amor e da transcendência. Nessa convivência
de espíritos adormecidos e espíritos em diferentes graus de despertamento, é
que se trava aquilo que é chamado de 'a
luta entre o bem e o mal', ou o combate da luz com as trevas. Por todo o planeta, em cada interação humana,
em cada espaço de convivência, ocorre essa disputa pela primazia do espírito e pelo domínio da carne: os instintos, os impulsos do orgulho e do egoísmo resistindo
aos chamados para a renúncia e o desapego, resistindo às pulsações do amor.
Como o amanhecer que lentamente,
gradualmente, se insinua, se anuncia e se faz presente dissipando o véu da noite e preparando para o despertar
do novo dia na potência irradiante do sol, que transborda o planeta de vida, de
luz e de calor, assim também os embates cotidianos entre a noite e o dia, entre
o sol e a escuridão, serão vencidos inexoravelmente pela majestade irresistível
do Amor. Toda a treva será extinta quando o sol glorioso do Cristo no seu
Evangelho de amor e libertação brilhar majestoso no céu de todos os corações.
Vivemos a ante-hora do amanhecer, sentimos o inquietamento da natureza e do ser
que pressentem a mudança, o despertar, o alvorecer. Tenhamos sempre o bom ânimo,
confiantes, na certeza do sol que nos aguarda por detrás do horizonte, na paz e
quietude da alma que se alegra ao aguardar a alvorada da nova vida.
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