sexta-feira, 8 de julho de 2016

Meu Chamado

“Conheces profundamente a minha alma,
e meus ossos não podem ficar escondidos de ti.
Quando lentamente eu era formado, em segredo,
modelado no interior da terra,
teus olhos viam o meu embrião.
E tudo isso está escrito em teu livro:
os meus dias já estavam todos formados,
antes mesmo de chegar o primeiro.” (Sl 139, 15-16)


Compartilho aqui, com meus amigos e familiares, um pequeno relato, bastante sucinto, da minha experiência do chamado para a vida religiosa.  

As palavras são totalmente limitadas para descrever e expressar esta experiência. As palavras apenas apontam, indicam, sugerem: “Não são discursos, nem frases ou palavras; nem são vozes que possam ser ouvidas” (Sl 124, 4-5). Palavras são manchas de tinta no papel ou pixels numa tela, são ondas sonoras transmitidas pelo ar ou reações eletroquímicas no interior do cérebro. No entanto, as palavras remetem a significados que não residem nas palavras em si, mas na mente de quem as escuta, no coração de quem as acolhe. Eu posso fixar pixels na tela do computador, desenhando letras e compondo palavras do léxico da língua portuguesa. Mas eu não posso fixar os significados que estas palavras terão nas mentes e nos corações de quem as lerem. Para muitas pessoas, minhas palavras indicam claramente que sucumbi às armadilhas psicológicas do autoengano e da autoilusão ou até mesmo que ‘surtei’, que deliro. Mas sei também que, para algumas pessoas, as minhas palavras ressoarão como uma melodia conhecida e familiar aos seus corações.

Quando eu tinha dez anos de idade, uma pergunta começou a afligir meu coração: ‘Se Deus é bom, por que existe o sofrimento?’ 

Eu estudava em colégio de freiras, já havia feito a catequese e a primeira Eucaristia. Eu ia à missa aos domingos e todas as noites rezava com devoção as orações que havia aprendido no catecismo.  Eu amava Jesus e depois que recitava todas as orações da noite, eu gostava de conversar com Ele no meu coração. Lembro que, muitas noites,  com o coração contrito, em lágrimas, eu Lhe perguntava: ‘Por quê? Por quê? Por que há tanta dor no mundo?’ 
  
Como eu gostava muito de ler e tinha muita sede de conhecimento, a primeira resposta que meu coração acolheu foi a do cientificismo materialista que encontrara nos livros: ‘Deus não existe, o universo é simples obra do acaso’. Passei a acreditar que o ser humano era ‘uma paixão inútil num universo absurdo’... Meu intelecto me dizia que não havia Deus, havia apenas matéria e que o fim da vida era a morte. No entanto, um universo sem Deus era absurdo demais para o meu coração e eu não suportei.  Quando eu tinha dezoito anos, tentei dar fim à minha vida, acreditando que, com a morte, acabaria o desespero e o absurdo do existir. 

No entanto, sobrevivendo à tentativa de suicídio, minha vida se transformou profundamente. Minha mente e meu coração começaram a despertar para novos sentidos, novas possibilidades. Foi nessa abertura e nessa busca de novos sentidos que encontrei o Espiritismo. Na teoria da reencarnação, eu encontrei, pela primeira vez, uma explicação que me parecia racional para o sofrimento humano;  e com a explicação para o sofrimento, eu pude acolher Deus novamente em meu coração.  A doutrina Espírita me permitiu aceitar a existência de Deus de forma lógica e racional, e a felicidade pode voltar ao meu coração.

A transformação no meu ser e na minha vida foi radical.  Era como se eu tivesse ido dormir lagarta e acordado borboleta. A partir do momento em que compreendi que sou um espírito imortal, que o mundo material é um mundo de sombras projetadas como no mito da caverna de Platão, e que a verdadeira realidade é a realidade invisível do mundo espiritual, minha vida se transformou totalmente.  Era como se o mundo tivesse virado do avesso, como na revelação de uma chapa fotográfica: o que era preto virou branco e o que era branco virou preto. O que era real tornou-se irreal e o que era irreal tornou-se real; o que era tristeza, dor e morte, transformou-se em alegria, gozo e vida.  Deus deixou de ser apenas uma ideia, o conceito de um absoluto abstrato, um criador distante, alheio e indiferente. Ele tornou-se, para mim, um Deus vivo: o princípio e o fim, imanente e transcendente, dentro de mim e além de mim. Meu coração viu que Deus é amor e que tudo está bem, não há nada a temer. 

Eu tinha dezenove anos e a minha vida, a vida como eu a conhecia, havia virado do avesso.  Cristo tornara-se, para mim, o Caminho, a Verdade e a Vida. Ele me chamava e eu queria segui-Lo com todo o meu coração, com todas as minhas forças, com toda a minha alma: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a propria vida, a perderá; mas quem perder a própria vida por causa de mim, a encontrará” (Mt 16, 24-25).  Eu queria renunciar ao mundo, renunciar a mim mesma e servir ao Cristo. Era tudo o que eu queria.  Assim surgiu em meu coração a vontade e o desejo de me tornar freira para servir ao Senhor em plenitude, para doar a minha vida a Ele e ao serviço aos meus irmãos necessitados e sofredores. Mas o problema para mim era que eu era espírita, eu não era mais católica...  Pensei, então, que essa minha vontade, esse desejo de ser freira, seria apenas uma lembrança de vidas passadas e que eu precisaria encontrar maneiras alternativas de servir ao Cristo no mundo. Então, relutantemente, com grande pesar, abandonei o chamado para a vida consagrada e aceitei viver no mundo. 

Desta forma, por 32 anos, eu vivi no mundo mesmo sentindo, no meu coração, que eu não era do mundo: “Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo” (Jo 17, 15-16).  Fui abençoada com muitas graças ao longo destes anos, a maior delas, a graça da maternidade. Vivi intensamente um grande amor e fui muito amada. Muito recebi e sou eternamente grata a tantas pessoas que cuidaram de mim, que me orientaram e me ajudaram a superar as dores e obstáculos do caminho. Vivi a dor devastadora da viuvez, mas segurando na mão de Deus e confiando plenamente na bondade divina, resisti à dor e consegui forças para prosseguir em minha jornada. Estudei, me formei psicóloga e psicoterapeuta, tornei-me professora, supervisora, pesquisadora... escrevi um livro, publiquei capítulos de livros, artigos científicos... Entretanto, durante todo esse tempo, enquanto vivia todos esses papéis no mundo, meu coração nunca deixou de buscar a Cristo para viver nEle, por Ele e com Ele... Mas era uma busca oculta, que eu vivia no silêncio do meu coração, no segredo das minhas orações. 

Aos dezoito anos, eu havia encontrado no Espiritismo uma forma de vivenciar a fé que satisfazia parcialmente minha razão, que eu conseguia justificar racionalmente. No entanto, a minha vivência no Espiritismo não satisfazia plenamente a minha necessidade de viver uma experiência mística profunda de comunhão com o sagrado e o transcendente.  A ênfase na racionalidade e na intelectualidade, que caracteriza o Espiritismo, me frustrava no íntimo, pois essa excessiva racionalidade limitava o alcance e a profundidade da minha experiência religiosa.

Eu sabia, no meu coração, que a lógica, a inteligência e a razão são limitadas na sua capacidade de explicar o mundo, a vida e o ser. Quanto mais eu estudava e procurava conhecer e desvendar os mistérios da vida, do sofrimento, da consciência e do ser, mais eu me deparava com os limites intransponíveis da razão e do saber humano. Diante dos mistérios de Deus, a razão se calava impotente. Até que, um dia, eu entendi que, embora os mistérios de Deus não possam ser explicados, eles podem ser contemplados.  Aceitando humildemente a impotência da razão,  eu prostrei meu coração numa completa entrega à contemplação dos mistérios da fé.

Essa nova atitude interna de contemplação e aceitação dos mistérios da fé provocou uma transformação radical da minha experiência religiosa. Antigas barreiras impostas pela soberba intelectual se romperam e meu coração se abriu para acolher os significados e sentidos dos ritos e símbolos religiosos. Com o coração transformado, liberto de velhos preconceitos, experienciei nas liturgias, símbolos e tradições da religião católica um novo caminho que me conduziu a um encontro libertador com o  Cristo.  Foi o meu encontro de Damasco.

De volta ao catolicismo, a porta de ingresso para a vida consagrada, que havia se fechado para mim aos dezoito anos, pode ser aberta novamente. Escuto agora, mais alto do que nunca, o chamado para a vida religiosa e, desta vez, ele é irrecusável. Meu coração, em estado de graças, não consegue mais dar outra resposta que não seja o ‘sim’:  “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6, 68).

Em outra postagem, contarei como cheguei ao Instituto Religioso Nova Jerusalém e porque escolhi seguir o chamado para a vida consagrada junto a essa comunidade. Se a metáfora para a minha experiência de conversão aos dezoito anos foi a de uma lagarta que morreu para renascer borboleta, a metáfora para o meu encontro com Nova Jerusalém é a de uma borboleta solitária que, finalmente, encontrou seus pares voando alegre e livremente na brisa perfumada de um exuberante jardim! 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Autodomínio e Sobriedade

A vida humana se manifesta paralelamente em duas dimensões, em duas realidades que se entrelaçam, que coexistem, que se influenciam mutuamente, mas que são relativamente independentes. Vivemos na dualidade de dois planos de existência: a vida biológica, no plano físico, regida pelas leis da física, da biologia, da química, pelas leis dos homens, da sociedade, da cultura, e paralelamente também vivemos a vida do espírito, que obedece a um conjunto diferente de leis. Esses dois mundos, na vida humana em geral, se opõem, se contradizem, se embatem. O desafio, o aprendizado para o ser humano é o de abraçar essas duas realidades de forma que coexistam em harmonia, vibrando em uníssono, buscando a mesma direção e um só objetivo, que é a vida por Cristo, com Cristo e em Cristo. O apóstolo Pedro nos pede o autodomínio e a sobriedade, a vida em oração e em caridade, no amor e no cuidado ao próximo, no abandono das devassidões, da idolatria, dos exageros das paixões do corpo. Esta é uma tarefa monumental, que exige esforços concentrados, uma vontade firme, uma certeza robusta da supremacia da vida do espírito.

A  vida do espírito é invisível aos olhos materiais, portanto, parece ser mais fraca, pois o ser humano tende facilmente a seguir apenas aquilo que consegue ver, escutar, compreender da dimensão palpável, objetiva, comum, do mundo físico. Seguir a diretriz do espírito requer uma disciplina constante, uma vontade firme e serena, uma disposição interna para o sacrifício pessoal, para a renúncia, para o amor Àquele que tudo cria, que nos doa a vida, que gera o tempo, que nos dá a consciência. O amor e a gratidão à Deus são o motor, a fonte, o combustível para a vida disciplinada, de sobriedade, de oração. O abandono das paixões do mundo requer uma fé no invisível, uma certeza na presença divina, que é maior que os ganhos efêmeros, que os prazeres fugazes do mundo físico.

O mundo espiritual coexiste, convive, perpassa o nosso cotidiano físico, material, de forma invisível, imperceptível aos sentidos. Mas esta presença e esta influência é perceptível pela consciência e pelo coração. Com a mente em prece, com o coração na sintonia do Amor, nos deixamos orientar pela vida do espírito e guiamos nossos passos no mundo pela força da Luz que vem até nós, em nosso auxílio.

Que consigamos vencer o mundo e suas ilusões, na certeza da vida verdadeira do espírito.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O Reino de Deus

O coração que encontra Deus se dilata de amor, de adoração, de gratidão. Encontrar-se com Deus nos prostra na impossibilidade de guardar qualquer outro sentimento no coração que não seja de louvor, de adoração, de amor. Ao abrir o coração para escutar a voz silenciosa de Deus somente um sentimento invade o ser: o maravilhamento, o deslumbramento, o êxtase diante desse poder indizível, indescritível. A oração é o momento em que a alma abre o coração para ser tomado por este sentimento de adoração, de amor e de louvor. Não há espaço no coração para nenhum outro sentimento, tudo se transforma em graças, em gratidão indizível, em louvor, em adoração àquele que é puro amor, bondade, justiça, sabedoria, misericórdia e paz. Todos os outros sentimentos, em sua pequenez, em sua insignificância, se dissolvem, são aniquilados, invadidos e tomados pela graça do amor. O amor a tudo, a todos. O amor que nos torna Um com toda a criação, o sentimento que ao ser descrito em palavras se limita, se restringe, pois é um sentimento anterior a qualquer palavra.

Na vida em oração, esse sentimento de amor, de adoração, está presente continuamente. A cada instante, tudo é feito, tudo é pensado, tudo é dito a partir desse sentimento, deste estado de comunhão. A vida em oração é a vida que flui, que pulsa, que vibra a partir do Amor de Deus. A oração alimenta a alma com o pão celeste, nutre o ser em suas profundezas ao ampliar a conexão com o Amor Divino. 

Na oração, as portas do coração  são escancaradas e a presença do Pai de Amor é sentida com maior intensidade. Mas ao retomarmos nossas atividades habituais do cotidiano, nós facilmente fechamos as portas do nosso coração e nos sentimos famintos, pobres, cansados, carentes. O esforço da vida em oração é o de deixar a porta escancarada constantemente para que nunca mais se feche, para que a vivência da graça, do amor, seja inabalável e constante. Mas as distrações do mundo, os apelos da matéria, as necessidades biológicas chamam a nossa atenção e, desatentos, deixamos as portas se fecharem. Por isso, a oração deve se unir à vigilância, para que a sintonia do amor, para que a expansão do sentimento, para que a abertura do coração permaneça sempre, pois essa é a vontade do Nosso Pai que está nos Céus.

Se o ser humano, ao invés de buscar tão desesperadamente, ansiosamente, o pão da carne, o alimento material, dirigisse, canalizasse esses esforços, essa busca, para o pão do espírito, o mundo se transformaria por completo e a vida humana se tornaria uma vida santificada na luz, na presença de Deus. Buscai primeiramente o Reino de Deus e tudo o mais lhe será dado por acréscimo. Infelizmente, o ser humano ignora os ensinamentos do Cristo e vive de maneira oposta, buscando primeiramente o reino material, os seus prazeres e confortos, acreditando que o reino de Deus lhe será dado por acréscimo, quando sobrar tempo, nas horas vagas. Ou então, busca-se a Deus na dor, na aflição; quando as necessidades materiais não conseguem ser atendidas, então, o ser humano volta-se para Deus.

Tanto sofrimento seria evitado se escutássemos e seguíssemos as palavras do Nosso Redentor: Buscai primeiro o Reino de Deus e sua Glória. E o Reino de Deus nós buscamos inicialmente na oração. É através dela que temos a clareza e o discernimento das ações, das palavras, das atitudes que devemos tomar no mundo. Se não estivermos com o coração de portas escancaradas na oração, no louvor, no amor, nossos atos e palavras, nossas atitudes não nos levarão ao Reino de Deus, mas nos conduzirão ao reino dos homens.

Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Aí está toda a Lei. Obedecei.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

A Luta entre o Bem e o Mal

Cada dia que inicia em nossas vidas é uma benção, oportunidade renovada que nos concede o nosso Pai de Amor. Que possamos acolher a dádiva de cada dia com o reconhecimento da imensidão, da grandiosidade dessa graça. Possuir um corpo, habitar esse planeta, viver imerso num mundo de necessidades materiais, trabalhar, conviver com outros irmãos, são oportunidades únicas, de valor inestimável. No entanto, o ser humano, de maneira geral, principia o dia no automatismo biológico e mental, levando adiante os hábitos, cumprindo as tarefas, buscando a satisfação de necessidades e prazeres do corpo e da mente, sem ter a consciência  da verdadeira dimensão, do sentido profundo da labuta de cada dia e da vivência de cada amanhecer. Quando a consciência está desperta, cada novo amanhecer, cada novo dia, é recebido com imensa gratidão, com assombro, com enlevo, com sentimento profundo de graças ao Pai pela dádiva do tempo, da vida corporal, do aprendizado e da renovação de cada dia e de cada instante.

A consciência desperta nos permite ver além das aparências do sentido comum, nos torna conscientes das responsabilidades, das consequências dos automatismos, e nos torna vigilantes de cada pensamento e das atitudes que brotam do nosso coração. Quando a consciência desperta, as faltas para com a Lei do Amor são sentidas com profundo pesar, mas também as alegrias do Amor Divino são sentidas mais vividamente, mais intensamente.

A cada dia, no planeta, bilhões de almas coabitam, interagem, coexistem. Cada qual em seu momento pessoal, particular, de aprendizado e de abertura consciencial. Milhões estão ainda adormecidas, vivendo simplesmente nos automatismos biológicos e mentais, vivendo cada dia no horizonte limitado pelas necessidades biológicas e pelas pulsões dos instintos. Mas no meio  delas, espalhadas por toda o planeta, há também milhões de consciências já despertas, em diferentes graus, que procuram a Deus, que buscam a verdade, que sentem a necessidade do amor e da transcendência. Nessa convivência de espíritos adormecidos e espíritos em diferentes graus de despertamento, é que se trava aquilo que é chamado de 'a luta entre o bem e o mal', ou o combate da luz com as trevas.  Por todo o planeta, em cada interação humana, em cada espaço de convivência, ocorre essa disputa pela primazia do espírito e pelo domínio da carne: os instintos, os impulsos do orgulho e do egoísmo resistindo aos chamados para a renúncia e o desapego, resistindo às pulsações do amor.

Como o amanhecer que lentamente, gradualmente, se insinua, se anuncia e se faz presente dissipando  o véu da noite e preparando para o despertar do novo dia na potência irradiante do sol, que transborda o planeta de vida, de luz e de calor, assim também os embates cotidianos entre a noite e o dia, entre o sol e a escuridão, serão vencidos inexoravelmente pela majestade irresistível do Amor. Toda a treva será extinta quando o sol glorioso do Cristo no seu Evangelho de amor e libertação brilhar majestoso no céu de todos os corações. 

Vivemos a ante-hora do amanhecer, sentimos o inquietamento da natureza e do ser que pressentem a mudança, o despertar, o alvorecer. Tenhamos sempre o bom ânimo, confiantes, na certeza do sol que nos aguarda por detrás do horizonte, na paz e quietude da alma que se alegra ao aguardar a alvorada da nova vida.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O Chamado

A fé é a fortaleza do espírito.

A fé vem do espírito que é tocado pela Misericórdia e Graça do Pai, a fé não vem dos homens. A fé não é um conjunto de dogmas a serem seguidos, a fé não é um corpo doutrinário a ser obedecido, porque os dogmas e as doutrinas são dos homens. A fé é a fortaleza do espírito que vem diretamente de Deus. A fé se escuta como um chamado no coração e se revela aos olhos na visão espiritual da realidade suprema. A fé fortalece o espírito na sua labuta cotidiana, nos percalços, nos obstáculos, nas armadilhas do caminho. A fé não é cega, porque a fé é luz; é luz que revela a verdade por trás das aparências e a realidade por trás das ilusões. A fé de Paulo foi despertada em seu encontro direto com Jesus Cristo, que o chamou. A visão do Senhor transformou o coração de Paulo, despertando nele o apóstolo destemido, apaixonado, desbravador, forte na certeza da fé que lhe foi despertada pelo próprio Cristo.

Cada um de nós possui seu momento pessoal de despertamento da fé, quando Nosso Senhor Jesus Cristo vem diretamente a cada um de nós nos chamar para o apostolado da verdade, da palavra de vida eterna. Cristo toca nossos olhos e com a visão espiritual subitamente vemos tudo com clareza, compreendemos o que Deus quer de nós. Com alegria profunda, que apenas a fé verdadeira pode trazer, nós acolhemos o chamado na certeza de que agora nossa vida se plenifica de sentido. Neste momento, tudo o mais que vivemos neste mundo torna-se apenas momentos de preparação para o sim.

Como os noivos se preparam por longo tempo para vida no matrimônio, preparando a nova morada, desfazendo-se de velhos laços e compromissos para assumir o compromisso sagrado e eterno da vida em comunhão com o seu parceiro no amor, assim também aquele que é chamado para o matrimônio espiritual, para a comunhão no Amor Divino da vida missionária precisa se preparar, preparar sua nova morada, desatar os laços e compromissos que o prendem à vida comum, junto aos homens, na descrença, no abandono de Deus e da Lei do Amor.

Quando os preparativos terminam, é a hora do sim, do novo compromisso que se estabelece na alma com o seu Criador. A fé é o laço que nos une ao Criador, laço indestrutível, que nos fortifica, que pacifica o espírito e que revela o caminho a seguir a cada dia. O destino final a Deus pertence, mas o espírito imerso na fé confia e nada teme, e se entrega a este matrimônio, a este compromisso com o seu Esposo, em êxtases de amor e alegria na promessa da vida plena.

Que os apóstolos do Cristo que vieram antes de nós nos fortaleçam no nosso chamado de hoje. Que a fé no Nosso Senhor Jesus Cristo, Nosso Salvador, Nosso Redentor, remova as montanhas de pecados de nossa alma.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O Perdão do Cristo

O autoconhecimento é a chave fundamental para a abertura do ser interior para receber as Glórias Divinas. Conhecer-se é reconhecer-se pecador, é reconhecer a imensidão das faltas, das ofensas para com a Lei Divina: “a humildade é a verdade”. Aquele que se conhece, sabe da imensidão dos seus erros, das suas imperfeições, dos seus vícios, das suas faltas. Se conhecêssemos tudo o que há em nosso ser, seríamos certamente aniquilados pelo sentimento de culpa. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo veio até nós para nos trazer a Misericórdia,  a libertação e a cura dos nossos pecados.  O Amor do Cristo nos perdoa. Seu Amor por nós, que se manifestou como sacrifício, como martírio, na Sua paixão na cruz, em que ofereceu o Seu sangue por nós, Seu Amor vem até cada um de nós do alto da Sua cruz, olhando-nos com bondade e Misericórdia, pedindo ao Pai que nos perdoe pois não sabemos o tamanho, a imensidão e as consequências de nossas faltas.

Senhor, trazemos em nós uma montanha de iniquidades, dia após dia, noite após noite, em desobediência à sua lei, somos recalcitrantes no orgulho, na rebeldia, buscando o nosso próprio prazer antes da obediência à Sua Lei, regidos pelo amor próprio, pelo narcisismo, pelo orgulho e pelo egoísmo.  A lista, a relação dos nossos momentos de pecado, de faltas para com a Lei, é colossal, impagável. Somos teus devedores, Senhor.  Perdoa-nos, Pai, e não nos deixe pecar mais. Liberta-nos do mal e que, ao receber a dádiva e a graça do seu perdão, nós nos transformemos como a pecadora que lavou os Vossos pés com suas lágrimas de gratidão. Que nós nos transformemos, abandonando nosso eu pecador, orgulhoso, arrogante como o fariseu, e tenhamos a humildade de apenas nos prostrar a seu pés e chorar, chorar, porque não somos dignos do Vosso perdão.

Mas Senhor, Vós nos perdoa e nos ama não por sermos dignos, não por sermos merecedores, mas porque Vosso Amor é Incondicional.  Vós conheceis todos os nossos pecados e, ainda assim, estende a Sua mão, o Seu sorriso, nos olha com piedade e nos chama para junto a Si, para lhe fazer companhia em seu Reino de Amor. Sim, Senhor, queremos segui-Lo e não queremos pecar mais.

Queremos transformar a nossa morada interior em um castelo de luz para nele habitar a Vossa Majestade, o Senhor do Mundo, e para viver em obediência, em servidão na vida plena de amor, na realização da Vossa Vontade. Eis-me aqui, Senhor, aos seus pés, indigna do seu Amor, mas trago o meu coração repleto de amor por Vós, trago as minhas lágrimas de arrependimento e de gratidão e beijo os Seus pés e sinto a vida invadir o meu ser e me levar ao seu Santuário, envolvida no Seu Amor. Que o Nosso Senhor Jesus Cristo seja louvado, que sua Paz esteja em nós!    

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O Mandamento do Amor

Aquele que ama a Deus, cumpre os seus mandamentos. E os seus mandamentos são leves: todos os seus mandamentos se resumem à Lei do Amor. O amor é leve. O amor liberta a alma do sofrimento, da dor.  O amor levanta o coração caído, desmotivado, desanimado. O amor traz a vida, o alento, a alegria ao coração descrente de sentido. O Amor é o Mandamento de Deus, é tudo o que ele nos pede: que amemos Aquele que nos gerou e que amemos tudo o que Ele gerou, toda a sua criação, todos os seus filhos.

Amar a Deus é amar os seus filhos. O Amor é o sentimento que abre nosso coração para receber tudo o que nos rodeia, tudo o que percebemos, tudo o que está presente em nossas vidas. Amar um desconhecido, significa louvá-lo como filho de Deus, bendizê-lo, irradiar sentimentos de ternura e compaixão, contemplar, em prece, essa pessoa que não conhecemos, mas que sabemos que Deus a ama, que Jesus a ama. Por isso nós também a amamos.

Amar a Deus é amar os que nos ofendem. Amar nossos inimigos também é leve, pois nos liberta do rancor, da mágoa, da dor da ofensa. O perdão nos une a Deus,  pois ao perdoar também somos perdoados.

Amar a Deus é amar toda a natureza, a obra divina, o universo perfeito, sublime, além da nossa compreensão, inconcebível em seu esplendor e grandeza. Amar o universo amplia nossos sentimentos, dilata nosso coração na contemplação do poder inconcebível que transcende nosso mero entendimento.

E amar a Deus é também amar a nós mesmos, seus filhos, criados à sua imagem e semelhança. No centro do nosso Ser, Deus depositou Seu diamante, uma Centelha de Luz, Sua fagulha, e desse centro irradia a Sua verdade. Nesse centro Ele mora e habita, se faz presente em nossas consciências, nos recordando, nos trazendo vislumbres do que é a vida em comunhão com o Pai. E do centro do nosso Ser, em nosso coração, Deus pulsa no amor, Deus vive no amor que vive em nós.

É amando que comungamos com o amor de Deus. É amando que nos tornamos Um com o Pai. É amando que vibramos em uníssono na harmonia e melodia da sua criação e nos tornamos co-criadores, colaboradores, participantes de sua obra.

Amai-vos uns aos outros, amai o seu próximo como a si mesmo, amai a Deus sobre todas as coisas. Esta é a Lei, este é o Mandamento. Para isto, existimos. Este é o nosso destino e nosso começo. O princípio, o fim e o meio: Amor.  


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A Luz do Mundo (II)

"Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo". Tendo dito isso, cuspiu na terra, fez lama com a saliva, aplicou-a sobre os olhos do cego e lhe disse: "Vai lavar-te na piscina de Siloé" - que quer dizer "Enviado". O cego foi, lavou-se e voltou vendo claro.  (Jo 9, 5-7)

Nós somos tocados pela saliva do Cristo, que representa Sua Palavra, a Palavra de Salvação do Evangelho.
A Palavra Redentora do Cristo nos retira a cegueira espiritual e nós retomamos a visão.
Nós escutamos o Cristo e vemos.
Vemos que ele é a Luz Divina, enviada pelo Pai Celeste para nos revelar o caminho da Redenção e da Comunhão com o Pai.
Cristo veio nos mostrar o Caminho de retorno à casa do Pai, que é o caminho do Amor e da Fé.
Cristo nos restitui a visão e vemos que fora do Amor não há salvação. 
Vemos o Amor de Deus em tudo que existe.
Sentimos o Amor de Deus pulsar em nossos corações.
Compreendemos que tudo que existe é obra do Amor de Deus.
Compreendemos que somos Filhos do Amor e que nada nos faltará.
Vemos a Misericórdia do Pai que olha por cada um de nós e cuida para que nada nos falte, para que tenhamos tudo que nosso espírito necessita para ascender a Ele, para se reunir a Ele na Comunhão da sua Graça.
Vemos que até nossas dores, nossas provações, nossos momentos de maior sofrimento, de maior sacrifício, foram bençãos e dádivas do Alto para nos fazer retornar a Ele, para que não prosseguíssemos no erro e no caminho do desamor.

Cristo, a Luz do Mundo!
O que era noite, torna-se dia
O que era aflição, torna-se benção
O que era pesar, torna-se alegria!

Cristo, que abre nossos olhos e nos faz ver pela primeira vez
que somos Filhos do Amor

Cristo, Luz do Mundo
que veio até nós
e que está com nós

Abrimos as portas do nosso coração
para que possas entrar!

Venha, Senhor!
Venha morar, venha habitar em nosso coração
iluminar nossa alma
dissipar a escuridão do nosso passado, de nossas faltas!

Venha habitar o centro do nosso ser
Seja o Sol em nosso coração
A Luz do Mundo
e a Luz de nossas vidas
agora e sempre! 


A Luz do Mundo

Jesus nos disse: "Eu sou a Luz do Mundo. Eu vim para que aqueles que são cegos, vejam, e para que os que veem, se tornem cegos". Palavras enigmáticas do Evangelho Segundo São João. Aqueles que veem são aqueles que supõem ver, que acreditam apenas no que os olhos materiais conseguem enxergar, aqueles que acreditam no poder da inteligência, das evidências materiais e dos raciocínios lógicos,  aqueles que acreditam em tudo que vêem, pois para eles a realidade é aquilo que se revela através dos sentidos e da razão. Esses se orgulham de sua luz e de seu saber.

Mas Jesus veio trazer a Luz aos cegos. Cegos são aqueles que reconhecem que nada sabem, que nada veem, que aquilo que realmente existe, que realmente importa, é oculto aos olhos, inacessível ao saber. São aqueles que trazem o coração humilde, pois aonde olham não veem; aquilo que buscam, não acham, pois estão em busca, querem ver aquilo que o mundo não tem para lhes dar, para lhes mostrar. Foi para eles que Jesus veio trazer a Luz, para que eles vejam e saibam que Jesus é o Enviado do Pai para nos mostrar o caminho da vida eterna, do Amor na Glória do Pai. Ele veio nos tirar da treva do desamor, da escuridão da ausência de fé, veio nos iluminar com a Sua Presença, com o Seu Amor, com a Sua Palavra. 

"Eu sou a Luz do Mundo", aqueles que buscam a luz, encontram em Jesus Cristo o sol que tudo ilumina, o amor que tudo aquece, a vida que jamais perece. Aqueles que acham que já possuem a luz e nada mais necessitam, não veem a luz do Cristo, pois que se tornam cegos. Olham para Jesus e veem apenas um impostor, escutam Sua Palavra, mas ouvem apenas histórias sem sentido, fantasias. Esses corações, essas almas, se tornam cegas diante da Luz do Redentor.

Jesus veio até nós porque sabe, conhece, que somos cegos e queremos ver. Ele nos toca, coloca terra sobre nossos olhos, a terra que simboliza a nossa experiência na vida terrena, o trabalho, o serviço, a labuta, o esforço, a nossa imersão no mundo da carne, na escuridão da matéria. E tocados pela saliva que representa a sua Palavra libertadora, nós vemos, nossos olhos se abrem, a cegueira cai e vemos a Luz, vemos além das ilusões da realidade material, vemos além das aparências, vemos a Luz do Cristo a se irradiar, a brilhar sobre tudo. Vemos a Luz do Amor de Deus, a Majestade do universo que tudo comanda, que tudo cria, que tudo sabe, que tudo governa, na Perfeição Absoluta, na sua Glória de Amor. Nós vemos, nós cremos que somos filhos de Deus, filhos do Amor, que ao terminarmos nossas experiências nesse mundo de matéria, nessa veste de carne, estaremos na vida verdadeira, libertos da dor, na Comunhão, na Graça do Divino Amor. Cristo nos trouxe a Luz e agora vemos. 

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O Embate

Somos corpo e espírito unidos, na vida, na existência no mundo. Nosso corpo possui funções vitais, impulsos, necessidades biológicas e nosso espírito possui outros impulsos, outras necessidades, de natureza espiritual. Constantemente vivemos um embate entre as necessidades do corpo e as necessidades do espírito, entre os impulsos do corpo, as pulsões da carne, e os anseios e as pulsões do espírito. O corpo não pode dominar o espírito, o corpo não pode obliterar a força do espírito, mas é o espírito que pode dominar, comandar os impulsos do corpo para que não haja mais embate,  para que o corpo seja pacificado e viva em harmonia, sob a Luz do Senhor.

As necessidades vitais da fome, da sede, do sono, do prazer sexual, são forças dominantes da vida humana. Em grande parte de nossas vidas, vivemos subjugados, o espírito vive adormecido sob o jugo dos impulsos corporais. Com o espírito adormecido, nos tornamos apenas um animal biológico, vivendo a serviço da satisfação das pulsões, das forças físicas e biológicas. Mas quando o espírito desperta, ele reconhece o poder que emana de Deus e se vê como um templo sagrado do Espírito Santo e busca a Deus, vivendo para satisfazer as necessidades do espírito e dando a primazia, o poder e a dominação às forças do espírito.

Vós podeis escolher entre viver adormecido, subjugado pelas pulsões e necessidades físicas, biológicas, ou passar o comando, o cetro, à Sua Majestade, o Espírito que reina soberano em todo o universo, e obedecer ao Pai Celeste, consagrando o corpo ao serviço do Senhor. O domínio da carne fortalece o espírito, o aproxima de Deus. Que a vontade do espírito se sobreponha nesse embate para que o corpo seja servo a serviço do Espírito Santo, da Luz Divina que vem à terra. Para que o corpo, para que o vosso ser seja instrumento dócil de Nosso Senhor Jesus Cristo, é necessário que o corpo se aquiete, se subjugue e obedeça ao comando do espírito.

O Reino de Deus está dentro de vós, o Espírito Santo te fortalece, Deus reside e fala em seu coração, tudo lhe é permitido, mas nem tudo convém para o seu desabrochar espiritual. Vosso espírito está no comando, a escolha é vossa, a quem servir, ao Espírito de Deus ou à matéria do corpo. O corpo um dia perecerá, é passageiro, é veste temporária do espírito, mas o espírito que vence o embate dos chamados do corpo, se fortalece perante Deus para os chamados do Céu. Para que a Luz dissipe a escuridão é necessário que o espírito vença a matéria. 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

O Pão da Vida

O Cristo é o Pão da Vida, o alimento que sacia a fome da alma. O pão da terra, que sustenta o corpo, é perecível, o seu sustento é breve, limitado.  Mas Cristo, o Enviado do Pai para alimentar a fome espiritual de nossas almas, é o alimento de vida eterna. Quando estamos em Cristo, nossa alma está em paz, plena, completa, nossa alma está saciada da presença divina. Não há mais dor, não há mais angústia, não há mais medo, há plenitude.  A presença do Pai nos pacifica, nos sentimos completos.

O ser humano que ignora a sua fome espiritual e que procura se alimentar apenas do pão do corpo, sente um vazio insaciável. Quantos homens e mulheres no mundo de hoje vivem a cada dia na busca desenfreada do alimento do corpo que, por ter vida tão breve e sustento tão limitado, nos prende a um ciclo constante de busca, de fome, de carência, de trabalho e suor, mas que nunca sacia plenamente a fome profunda do ser? As satisfações temporárias, os prazeres efêmeros da vida do corpo não conseguem preencher aquele anseio profundo que trazemos em nossa alma, a fome de Vida Eterna que apenas o Cristo, em Sua presença, em Sua palavra de Boa Nova pode saciar. Aquele que crê que Jesus é o Pão da Vida, o Enviado de Deus, encontra uma paz que é profunda, serena, robusta, que o sustenta em todas as tribulações da vida do mundo. Aquele que vive com a Presença do Cristo em seu coração, em sua vida, sente a coragem, a alegria, a vontade de fazer o bem, de amar, de ser generoso, humilde e bondoso porque essas são as virtudes do Pai que vive em nós.

Estar em Comunhão com  o Cristo significa viver plenamente o seu Evangelho de Amor e desapego, de fraternidade, de caridade, de cuidado para com o próximo, com o sentimento de plenitude, de vida plena, de estar alimentado e sustentado pelo Pão da Vida, o alimento imperecível. Por não sentirmos mais fome do espírito, saciados com o Amor do Cristo e no Amor do Cristo, as necessidades do corpo, as necessidades materiais, as provações e tribulações se tornam leves, suaves, pois o espírito está fortalecido e saciado. Tudo é possível quando a alma está em Deus na Comunhão do seu Amor. 


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A Penitência

O nosso mundo, o mundo que Deus criou para nós, se caracteriza pelos opostos do prazer e da dor. Esses dois extremos, que se manifestam em diversos aspectos e dimensões de nossa existência como o dia e a noite, o trabalho e o descanso, a fome e o alimento, a saúde e a doença, essa dualidade da vida gera o movimento, as transformações, os ciclos de crescimento e de expansão da consciência. Nós vivemos aprisionados no ciclo do prazer e da dor, enclausurados no movimento de fuga da dor e busca do prazer. Quando o prazer se torna o objetivo da vida, quando a fuga da dor se torna nosso único propósito, nosso único anseio, nós perdemos o rumo e interrompemos o movimento do nosso progresso e expansão da consciência. Portanto, para revertermos esse movimento que enclausura e embota a consciência na dissociação e na desconexão com a Vontade de Deus, precisamos mobilizar nosso ser para comandar, disciplinar nosso organismo e nosso coração na direção contrária, isto é, na fuga do prazer através da penitência. A provação voluntária reverte a direção do movimento automático de desejo e busca do prazer que nos enclausura na pequenez e nas limitações do mundo corpóreo.

A alma que aspira a Deus acima de todas as coisas busca se libertar das algemas do prazer e suas armadilhas que viciam a mente e o corpo em processos que anestesiam e embotam os sentidos espirituais, que estreitam a sintonia com o divino pela exacerbação e intensificação dos sentidos físicos. Quando o crente reconhece e toma consciência destes processos automáticos do desejo, ele pede a Deus a força espiritual para se libertar dos automatismos e reiniciar o movimento no sentido contrário. Este é o movimento íntimo que gera o arrependimento dos pecados, que desperta a força, o impulso e a vontade para buscar a Deus acima de tudo e abandonar os movimentos do automatismo do prazer. Este é o significado da penitência: embotar, fechar os sentidos do prazer que obliteram, que impedem e paralisam o movimento do espírito em sua conexão com Deus, na busca da expansão da consciência, do progresso e da transformação.


A pessoa que reduz sua experiência de vida às experiências de prazer dos sentidos vive como um verme no seio da terra, cavando buracos cada vez mais profundos em busca de alimento e nutrição. A pessoa que se penitencia é como o verme que se envolve no casulo da morte para preparar e gerar a transformação pelo abandono dos sentidos corpóreos para o surgimento da borboleta que, livre, pode alçar voos na direção da luz. A penitência é o momento do casulo que cessa os movimentos voluptuosos do prazer, que mortifica os sentidos para engendrar a Vida Verdadeira do Espírito que domina a matéria e alça voos na Luz e na Graça do Pai Celeste.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O que é a morte?

No sentido biológico, sabemos que a morte é a cessação das funções vitais do organismo com a consequente desorganização e destruição celular.  A ciência moderna conhece os processos subjacentes à morte biológica. Todavia, a morte no sentido bíblico não se refere a esta morte do corpo ou biológica, mas à morte espiritual. No entanto, como podemos estar mortos espiritualmente se o espírito é eterno?

O espírito está vivo quando comunga com o Pai que lhe dá a vida. O espírito que se afasta do Pai e da Fonte da Vida, mergulha nas sombras e é como se morresse, pois negou Deus em seu coração que é a única Vida. Entre nós, existem espíritos cujos corpos biológicos possuem todas as funções vitais, suas células estão vivas, suas mentes estão conscientes e funcionando no mundo, mas que, no entanto, estão mortos espiritualmente, com os corações fechados para Deus, endurecidos para o amor, aprisionados no egoísmo e no orgulho. Quantos homens e mulheres que vivem no mundo, que acordam e dormem, que comem, que trabalham, que exercem funções na sociedade, muitos com prestígio, poder e riquezas materiais, muitos deles amados, idolatrados e glorificados por outros homens e mulheres, estão na verdade, mortos em espírito?

Jesus veio para nos trazer a ressurreição, a libertação do cárcere de nosso orgulho e egoísmo, a salvação para os corações endurecidos e a vida eterna para os corações que morreram para Deus. Jesus é o Salvador que nos traz a vida eterna, basta escutar a sua Palavra, vivê-la, basta abrir o coração para receber a sua Graça e seguir os seus passos, basta renunciar ao orgulho e ao egoísmo e viver o amor em plenitude como Ele nos ensinou. Jesus nos traz  a vida eterna, a ressurreição, a esperança, a alegria e a Glória da Vida verdadeira, junto ao Amor do Pai.

Quantos homens e mulheres no mundo rejeitam seu chamado, ignoram Sua Palavra, menosprezam Seu exemplo vivo e resistem a viver a verdadeira vida! Que em nossas orações, que em nossas vidas, possamos ser instrumentos da Misericórdia de Deus para com nossos irmãos, para que todos sejam salvos e a vida seja plena em todos! Que possamos servir ao Cristo, entregando os nossos corações no trabalho santificado de levar a Palavra da Salvação e ressurreição porque é a Vontade do Pai que todos tenham a vida eterna. 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A Escolha

O Cristo ressuscitado aparece a nós a todo instante, iluminando nosso caminho e nos chamando para servi-Lo. A cada dia, Deus nos coloca diante da opção de cairmos por terra e nos prostrarmos diante de Sua Luz ou de resistirmos e mantermos o passo no caminho que dEle nos afasta. A conversão de Paulo também é nossa conversão, e ela ocorre diariamente, constantemente. Para nós, é sempre dada a escolha, Deus nada impõe aos seus filhos. Em Seu poder, em Sua bondade e Amor, Ele respeita o nosso poder de escolha, o nosso livre-arbítrio. Deus acolhe, entristecido, quando a nossa escolha é de persegui-Lo, de fugir de Sua luz, de negar Sua existência e insistir no erro que conduz à autodestruição, à escuridão profunda da noite do mal. Mas Deus não desiste de nós e, em cada instante, renova o chamado, convidando-nos para o regresso. Deus sabe que, um dia, nós O seguiremos e O buscaremos. Deus nos aguarda e nos encontra aonde quer que estejamos e escolhamos ir:  Deus ali estará, de braços abertos, chamando-nos para a Ele retornar.

Mas é somente a nós que cabe a escolha, a decisão de que rumo tomar: o rumo da autossuficiência, da desobediência à lei divina, do egoísmo, da soberba, dos prazeres e confortos do corpo em detrimento do alimento da alma e da glorificação do espírito; ou a escolha de nos jogarmos ao chão e nos entregarmos ao chamado, à Luz que nos envolve com infinito Amor e que pede apenas que O amemos, que deixemos de persegui-Lo e que nos unamos a Ele na graça do Amor.

Jesus, Filho de Deus, Enviado Celeste, visita cada um de nós, cada coração sobre a terra, e a todo instante renova o chamado. Ninguém é esquecido, ninguém é deixado para trás. Jesus vai ao encontro para buscar cada uma das ovelhas do seu rebanho porque é a Vontade do Pai que nenhuma delas se perca. Aonde estivermos, por mais escuro e desolador que seja nosso espaço interior, por mais que tenhamos nos afastado da Luz de Deus e mergulhado na treva do mal, do orgulho, do egoismo, da desobediência à Lei, Jesus ali vai nos buscar e nos chamar.

Um dia, todos estaremos guardados em Seu aprisco, um dia todos teremos escolhido o regresso ao Pai e o Reino de Deus se fará sobre toda a terra e a alegria do Pai será completa. 

domingo, 31 de janeiro de 2016

A Fé

Todos nós buscamos a cura de nossas enfermidades, do corpo ou do espírito. Todos nós, que habitamos esse mundo de aprendizado e de provações, trazemos profundos padecimentos em diversas camadas, em diversos níveis do ser, que necessitam de cura, de transformação. Podemos suplicar a Deus que cure nossas enfermidades, mas implorar a Deus não significa ter fé em Deus. Aquele que implora se coloca passivamente como um receptor das graças do Deus amoroso, mas aquele que tem fé se prostra diante de Deus com verdadeira humildade, consciente de que todo poder emana de Deus.

Paulo curou o aleijado de Icônio porque viu em seus olhos que ele tinha fé. O aleijado não implorava a Deus por sua cura, mas tinha fé e foi curado. A fé verdadeira, genuína, do coração, nos faz aceitar com humildade as provações assim como as graças enviadas pelo Altíssimo, pois conhece que as provações são também graças. A fé verdadeira nos conforta o coração na certeza de que tudo que acontece com nós, todas as tribulações, obstáculos, enfermidades, assim como todas as alegrias e bençãos fazem parte do projeto de Deus para nossas vidas. Na vivência da fé, nos entregamos humildemente para que se cumpra a Vontade do Pai e possamos realizar o seu projeto para nós, sem queixas, sem desobediência, sem fuga, mas com coragem e resignação do coração. A resignação da fé não lamenta, mas glorifica o Pai, O exalta, na certeza de que Seus desígnios são sábios, justos e bons.


Que possamos nos curar de nossas enfermidades pelo poder e alcance da nossa fé e não pelo volume de nossas súplicas. Que possamos entregar ao Pai em verdadeira fé e humildade a nossa vida para que seja feita a Sua vontade e não a nossa. A verdadeira cura ocorre na obediência à vontade do Pai, na comunhão com Ele, na glorificação, no louvor e na adoração de Seu poder, de Sua Misericórdia e Amor. 

sábado, 30 de janeiro de 2016

A Melancolia

“Alegrai-vos no Senhor!”, pede-nos o apóstolo Paulo. Quando o nosso coração se abre para Deus e sua Luz, somos banhados de imensa alegria. A tristeza é a experiência da desconexão com o Amor do Pai. Quando esvaziamos nosso coração desse Amor, nosso coração se entristece. A melancolia é o luto da perda do Amor do Pai.  Nós todos experimentamos, quando da nossa criação, a alegria suprema de estarmos no Pai, de estarmos com Ele, em comunhão no seu Amor. Quando o nosso orgulho nos afastou do Seu Amor, nosso coração se encheu do prazer de fazer nossa própria vontade, do prazer de sermos nosso próprio deus. Mas à medida em que o  coração se afasta do Amor do Pai, ele vai se esvaziando da alegria verdadeira até o momento em que o prazer ilusório da autoindulgência, da autocontemplação, do narcisismo e da vaidade se desfaz. O coração se vê, então, tomado por profunda melancolia e derrama lágrimas profundas de saudade, da perda do Amor em que um dia esteve imerso. Por isso, São Paulo nos recorda: alegrai-vos, voltai à comungar no Amor do Pai.

O caminho de retorno ao Pai é um caminho ascensional, é um caminho de virtudes, de busca do bem, do certo, do verdadeiro. É a “porta estreita”, como nos ensina Jesus. Apesar de ser um caminho estreito, ele nos enche de alegria. Basta este movimento interior de desvio, de retorno para buscar a Glória do Pai, na humildade, no reconhecimento dos erros, na aceitação de nossa impotência e ignorância e de que somente Deus é poder e sabedoria, para o nosso coração já se encher de contentamento pela promessa, pela esperança do que virá.

Este caminho da rejeição dos prazeres do mundo, da recusa da vaidade, da cobiça e do auto-engrandecimento, apesar de estreito, é um caminho que nos alegra profundamente a alma. Mesmo que ainda estejamos a uma distância imensa do estado inicial de comunhão com o Pai, mesmo que tenhamos nos afastado tanto a ponto de nosso coração morrer de dor e se desesperar na escuridão, basta um simples movimento interior de retorno para que a alegria preencha o nosso ser novamente.


Não é necessário chegar no ponto de destino para se alegrar com a jornada. A jornada de retorno ao Pai já é em si repleta de graças, de bençãos, de prazer, de alegria porque sabemos que deixamos para trás a escuridão de uma vida afastada de Deus, a noite da alma que se julga auto-suficiente, da treva da alma que recusa obedecer ao Pai. “Alegrai-vos, alegrai-vos”, Deus está próximo, estamos em retorno. 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O Orgulho

“Deus é Luz” e, quando caminhamos na luz, estamos em comunhão com Deus, diz o apóstolo João. Trazemos em nós a Luz de Deus: a luz da consciência, a luz da inteligência, a luz do poder de co-criação. O ser humano, quando reconhece essa luz em si possui duas opções de resposta a este reconhecimento. Ele pode se ajoelhar na contemplação do incompreensível, da Luz de Deus que é maior que todo seu entendimento, que toda sua inteligência, e pode entregar a sua vontade ao Poder Supremo do universo e humildemente e com alegria obedecer aos comandos da Luz do Pai Criador. A segunda resposta possível do ser humano quando se reconhece possuidor de uma centelha de luz, de inteligência, de poder criador é a de negar a origem dessa centelha, cortar os laços que o uniam a ela, renegar a fonte originária, primeira, de sua luz, e exaltar e louvar a si próprio, a luz que reconhece em si. É este o início do caminho  que leva o homem ao orgulho, a se iludir crendo-se capaz de discernir por si só o certo do errado, o verdadeiro do falso, supondo que é a origem de sua própria luz e que seu poder é o único poder. Mas, ao cortar os laços que o unem com a origem da sua luz, com a fonte do seu poder, o ser humano engendra sua própria dor, seu próprio caminho de aniquilamento. A centelha, que era viva e resplandecente, possui uma vida muito breve e limitada quando cortada de sua fonte. Aos poucos, a luz se apaga e o ser humano, desconectado do Pai, se vê nas trevas, na escuridão completa do seu orgulho insensato.

Todos nós, que habitamos esse mundo, trazemos o pecado do orgulho em nossos corações. Que consigamos fazer um exercício diário de autorreflexão em momentos de oração para identificarmos onde está esse orgulho, como ele se expressa em nossas relações, em nossas escolhas e em nossos pensamentos. E confessai ao Pai, e o Pai o perdoará.


Que ninguém se suponha humilde, pobre de espírito o suficiente. O orgulho tem suas artimanhas e ele resiste à vontade que busca a luz. O trabalho de reatamento, de reparação dos laços com o divino, é um trabalho constante, que exige oração e vigilância para que possamos reatar a conexão e viver em comunhão plena novamente com o nosso Pai Criador, que é a Luz do mundo, de onde viemos e para onde retornaremos, na vida eterna. Louvado seja o nosso Pai que perdoa os nossos pecados e nos busca, nos quer de volta, que tudo faz em sua Misericórdia para que a Ele retornemos para gozarmos da Graça e da Comunhão que tínhamos antes do começo do mundo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O que é o Pensamento

O que é o nosso pensamento? De que substância ele é feito? Quem gera nossos pensamentos? Os pensamentos são feitos da matéria sutil que é a essência da vida. A 'matéria sutil' é assim chamada em analogia com a matéria conhecida pelos sentidos do mundo, mas a matéria do pensamento é totalmente independente da matéria do mundo físico. A substância de que é feito o pensamento não possui um nome na ciência dos homens, por isso, na analogia com a ciência física é usada a expressão matéria sutil. Qualquer outro nome poderia ser dado, talvez um outro nome desvinculado, sem relação aparente com a matéria do mundo físico, seria mais apropriado para evitar confusões. Vamos chamá-la de substância espiritual, ou substância do Espírito, mas que não é uma substância no sentido físico.

O pensamento é gerado e é plasmado no oceano dessa substância em que o Espírito está mergulhado. A substância espiritual possui suas próprias leis que em nada se assemelham às leis do mundo da matéria física. Uma das leis que deixa os seres humanos perplexos, incapazes de compreender racionalmente, é a lei da onipresença, que não tem um correspondente ou paralelo no mundo físico: o pensamento não ocupa um lugar no espaço, o pensamento está em toda a parte ao mesmo tempo. Por isso que nossas preces chegam a Deus sem precisarem atravessar todo o universo. Porque na dimensão do Espírito, não há espaço, tudo está em tudo.

Outra lei do mundo do Espírito é a de que o pensamento gera vida, é criador, ou melhor, é co-criador. Através do pensamento, nós colaboramos na obra do Criador e nos unimos a Ele na geração do bem, ou nos opomos a Ele ao não gerarmos o bem, pois o mal não existe, o mal é apenas a ausência do bem, o mal não possui existência própria. Não fazer a vontade de Deus, se abster de co-criar com o Senhor, desobedecer aos Seus mandamentos, fugir às responsabilidades que o Senhor nos outorga, é fazer o mal. Assim, nosso pensamento determina aonde nos situamos junto ao Criador: se estamos com Ele ou contra ele. O pensamento que gera amor, o pensamento de compaixão, de compreensão, o pensamento de esperança, de fé, de humildade, esses são pensamentos que pertencem a a Deus e fazem a Sua Vontade.

Na oração, nós exercitamos e praticamos o pensamento em uníssono com o Criador. Unimos a nossa vontade à Vontade do Senhor da Vida e nos tornamos Um na geração do Amor. O pensamento é força do Espírito e a maioria da humanidade desconhece, subestima e desperdiça esse poder. Que saibamos usar este poder co-criador que a bondade divina nos concedeu ao nos criar à Sua imagem e semelhança. O pensamento é onde Deus se revela em nós e reflete a Sua imagem em nós. Por isso, orai e  vigiai. Orai para que os seus pensamentos estejam com Deus e em Deus. E vigiai para não desobedeceres à Sua Vontade e gerares o mal.


Pensamento é vida, pensamento é Deus em ação, pensamento é a força motriz do mundo da matéria e do Espírito. O pensamento banhado de amor é estrela portentosa a trazer o dia na escuridão da noite do desterro da alma que abandonou a Deus. 

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O Poder da Oração

A consciência é ponte que liga o mundo da matéria ao mundo do Espírito. Duas realidades que se sobrepõem, separadas na percepção dos sentidos, mas juntas na vivência da consciência. Somos espíritos e somos carne a um só tempo. E a oração abre as portas para o mundo do Espírito penetrar no mundo da carne, no mundo da matéria, das percepções e ilusões dos sentidos. O homem que não ora, que não cultiva a oração, está dissociado, desconectado dessa dimensão essencial do seu ser e vive como um autômato, como um robô, vivendo nas sensações materiais, nos prazeres e sofrimentos do corpo, nas ilusões dos sentidos, sem compreender o sentido de suas tristezas e alegrias, sem perceber a mão oculta que o conduz pelo mundo invisível.

Aquele que ora, ao contrário, penetra na realidade subjacente que tudo organiza, que tudo dispõe. Quem ora vê além, vê o antes e o depois das experiências terrenas na matéria. A oração nos conecta com a realidade do mundo invisível, do mundo que é anterior a este mundo material e que lhe dá origem, a verdadeira realidade, que é inacessível ao homem que não ora.

Através da oração, abrimos as grandes portas através das quais o Céu desce para a terra. Sem essas portas abertas, o mundo terreno seria dominado ainda mais pelas sombras.  Cada oração que é feita no mundo é uma porta que se abre para a Luz penetrar, dissipando a escuridão. Deus precisa de nossas preces, Deus precisa de nossas orações para agir no mundo de forma mais direta. Somos colaboradores de Deus na criação do mundo, Deus conta conosco para que a Luz que dEle emana chegue aonde necessita no mundo do corpo e da matéria.

A oração ilumina o mundo, a oração agrada a Deus. A pessoa que se abre a Deus na oração, dEle recebe tudo o que necessita para o seu conforto espiritual. É banhada com o alimento celeste, com o pão da vida, e também nutre e alimenta os famintos ao seu redor na terra. A oração não beneficia apenas aquele que ora, mas toda a humanidade. Orai, irmãos, orai muito, é a única forma da Luz do Céu, da Graça divina chegar ao coração dos homens.

Quando as portas do coração estão fechadas para a oração, o mundo se escurece e o ser vive na cegueira do automatismo da matéria e do corpo. Assim como um cego tropeça nos obstáculos por não enxergá-los e cai repetidas vezes por não perceber as barreiras e as pedras no seu caminho, assim também o homem que não ora, que não tem a Luz de Deus no coração pela oração sucumbe aos revezes da vida material, tropeça repetidas vezes nos mesmos erros, nos mesmos obstáculos.


A nossa salvação está na oração, onde vemos tudo com clareza, onde compreendemos para que servem os obstáculos, do que eles estão a nos proteger, os desvios que devemos fazer e os caminhos que devemos trilhar. Todas as religiões do mundo professam a necessidade da oração. A oração une todos os povos, todos os seres humanos, todos os corações a um só Deus, que é o Pai de todos, que nos ama infinitamente e que bate às portas do nosso coração a todo instante, clamando para que possamos abri-las para deixar entrar a Sua luz que nos liberta e que nos revela o sentido, que dissipa a escuridão e nos reúne na Graça e na Glória de nosso Pai. 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O Mal

Deus é Bom, Deus é Bondade, tudo que vem de Deus é Bom, é Belo, é Perfeito. Fomos criados por Deus, belos, bons e perfeitos. Foi a Vontade do Pai que nós, seus filhos, seres humanos, também recebêssemos a graça do livre-arbítrio. Deus, em Sua Soberana Vontade, deu a cada um de seus filhos a liberdade para escolher, para agir, para tomar decisões a respeito de si mesmo e da sua vida.

No entanto, a humanidade na terra tem usado a dádiva do livre-arbítrio para se afastar de Deus, para esvaziar o seu coração do Amor. A humanidade, assim que recebeu a graça da liberdade se acreditou também um deus e decidiu desobedecer ao Pai e fazer a sua própria vontade, ao invés da Vontade do Criador. O coração do ser humano inchou de vaidade, de autoindulgência, de presunção, de cobiça e arrogância. Fascinado pelo poder que Deus lhe concedeu, o ser humano decidiu criar o seu próprio reino, onde ele seria o senhor, ele comandaria, dominaria e seria o centro.

Quanta insensatez! Quanto mais o ser humano se rebela de Deus, se afasta e desobedece à Sua Vontade, mais o seu coração congela, se atrofia, se escurece. À medida que o homem se afasta do Amor de Deus em rebeldia, em autoindulgência, em cobiça, mais seu coração se esvazia de Amor, se endurece. Esse é o mal, é o desamor no coração do homem, é o esvaziamento do Amor Divino em nossas vidas. É a rebeldia, a desobediência à Vontade do Pai, é a arrogância, a soberba, a presunção de nos acharmos deuses e centros do mundo. Esse é o mal que cobre a terra, que gera sofrimento sem fim, que gera guerras, destruição, dor, violência e crueldade.

O desamor é o mal do mundo. Por isso, Deus em sua infinita Misericórdia, compadecido de seus filhos com os corações mortos, endurecidos no mal, vivendo o inferno do desamor, Deus, em sua compaixão infinita nos enviou Seu Filho amado, em sacrifício último para nos ensinar o caminho da Salvação e retorno ao Pai. Mas o mundo O odiou e ainda hoje O odeia. As palavras redentoras da Boa Nova, de que Deus nos ama infinitamente apesar de todos os nossos pecados, apesar da nossa desobediência, de nossa rebeldia, essa mensagem de redenção, de esperança, não é escutada pela maioria dos homens e mulheres da terra. No mundo atual, a mensagem da Boa Nova é vilipendiada, ridicularizada, desprezada como crendice, superstição e ignorância.

No entanto, espalhados no globo, existem aqueles filhos de Deus que amam a Verdade e que escutam a Palavra e a compreendem e que se tornam os apóstolos da Boa Nova da Libertação. Estes também são odiados pelo mundo porque eles não são do mundo. Os filhos de Deus que amam a Deus sobre todas as coisas e que amam ao próximo como a si mesmos, que são humildes e pobres de espírito para aceitar a Vontade de Deus e cumpri-la, estes são filhos da Luz e, em suas orações, na sua vivência do Amor, espalham sobre a terra a Luz que vence todo mal. 

Ao final, o Bem vencerá e o mal será eliminado, pois todos os filhos de Deus chegarão finalmente ao reconhecimento de que Deus é o único Senhor e que a Sua Vontade é soberana e justa e a Ele entregaremos nossos corações e nossas vidas em louvor e graça, na Glória, na plenitude da vida com Ele, da Vida Eterna, em Cristo Jesus.

Deus Pai, ajude-nos, fortalece nossos corações para escutar a Tua Palavra e praticá-la na obediência à sua Lei de Amor.  Que Nosso Pai Criador abençoe nossos passos sobre a terra e nos livre do mal.  

domingo, 24 de janeiro de 2016

O Salvador

Nosso Pai, Criador do céu e da terra, Criador do universo, da imensidão das galáxias até o infinitesimal mundo subatômico. Deus, que reina soberano sobre todo o universo, sobre toda a terra e todo o céu, Senhor, Poder Supremo, inconcebível para o nosso intelecto, é Deus de Amor. Fomos criados à sua imagem e semelhança, o que quer dizer que, em nossa consciência, trazemos a imagem de Deus, o seu reflexo, a sua Centelha e que Deus ama infinitamente cada um de nós, cada ser humano que já viveu sobre a terra, que vive e que viverá. Deus conhece cada um de seus filhos e não há um fio de cabelo que caia da nossa cabeça sem que o nosso Pai saiba. O Senhor conhece o que se passa em nossos corações, escuta nossos pensamentos e acolhe nossos clamores por misericórdia. 

O Pai Celeste também está presente na terra, está em nós, presente em cada coração. O Pai Celeste não é um Senhor distante, inalcançável, mas é um Rei cujo castelo está em nosso coração. O trono desse Rei, o trono de Deus, aonde ele está sentado em Sua Majestade, está em cada coração. Deus não está lá fora apenas, está também aqui dentro.

E no Amor infinito que Deus tem por cada um de nós, seus filhos, por ser a Sua Vontade que estejamos com Ele, na Glória, na harmonia, na Comunhão do seu Amor, por causa disso, Ele nos enviou o Seu Cordeiro, o Seu Filho amado para o supremo sacrifício. Deus mostrou-nos a sua face humana, encarnando junto de nós, como homem, com os sentimentos e necessidades de toda vida humana. Ele ficou entre nós, como Cordeiro para ser sacrificado para o perdão dos nossos pecados. Deus nos enviou o seu Filho amado para nos salvar da morte do coração causada pelo esquecimento da sua Lei de Amor.


Cristo, o Salvador, veio tocar nossos corações para nos mostrar o Deus de Misericórdia que está presente em nossas vidas e foi odiado pelo mundo. Como estava nas Escrituras, o Enviado do Pai foi martirizado, humilhado, sacrificado pela humanidade ímpia, imersa no pecado e na escuridão, cega pelo véu do orgulho e da vaidade. O Salvador derramou o Seu sangue e entregou o Seu corpo por nós, para que cada um de nós consiga receber Deus no coração e ressuscitar do pecado. 

O pecado é o afastamento de Deus, é a negação de Deus no próprio coração. O pecado é a morte do coração, e Cristo, Cordeiro de Deus, veio nos salvar da morte e tocar nossos corações no Seu Amor infinito, no Seu sacrifício divino para que possamos despertar, escutar a voz de Deus clamando em nosso ser para nos unirmos a Ele em Graça, em Amor e em Comunhão. 

Graças a Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador.    

sábado, 23 de janeiro de 2016

A Vontade de Deus

Nosso Pai Celeste criou para nós um universo perfeito, belo, sublime, regido por leis justas, sábias e soberanas. Os cientistas, nos seus experimentos e nas suas reflexões teóricas, pouco a pouco vão desvelando pelo entendimento as leis que governam a matéria, o plano físico, o plano visível aos sentidos e apreensível pelo intelecto. Mas, além das leis que regem o universo material, Deus, em sua infinita bondade, nos legou um conjunto de leis do universo moral, do universo da alma, do plano do Espírito. Essas leis foram inspiradas a Moisés e aos profetas e podem ser resumidas na maior de todas as leis, a Lei do Amor: Amai ao Senhor Seu Deus sobre todas as coisas e amai ao próximo como a si mesmo. A maioria da humanidade só consegue compreender aspectos parciais dessa Lei Maior. Poucos conseguem compreender e sentir em profundidade a imensidão e o poder dessa Lei.

Amar a Deus sobre todas as coisas significa que no nosso coração reine um soberano absoluto, acima de todos os outros senhores. Que o nosso coração ame primeiramente o pai Criador e amá-Lo é fazer a Sua Vontade. E a Sua Vontade é que nos amemos uns aos outros.

Quanto sofrimento no mundo seria magicamente erradicado com a simples obediência a essa Lei: Amai a Deus acima de tudo. Em nosso corações, costumamos abrigar muitos amores: amamos o conforto material, amamos as distrações da vida, amamos os prazeres do corpo, amamos o poder, o prestígio, amamos o nosso ego, a nossa persona, amamos aqueles que nos amam, mas a Lei nos comanda que acima de todos esses pequenos amores, passageiros, ilusórios, efêmeros, que reine absoluto em nosso coração o Amor ao Nosso Pai. Servir a um só senhor, obedecer somente à Vontade de Deus, essa é a Lei. Quando obedecemos à Lei do Amor em nossa vida e em nosso coração, os sofrimentos se dissolvem, eles se revelam como ilusão, como nuvens passageiras, e percebemos o sol radiante acima de tudo a nos aquecer e iluminar.

A falta do amor a Deus em nosso coração é o que na linguagem bíblica é chamado de pecado. Aqueles que vivem no pecado trazem o coração morto para o amor de Deus, o coração entorpecido, endurecido, enclausurado nos amores vãos e passageiros da vida material. Por isso, o Cristo veio nos trazer a nossa Salvação, mostrando aos nossos corações o caminho do amor ao próximo que nos conduz ao amor a Deus.


Na entrega do nosso coração a esse sentimento de Graça, de louvor, de glorificação ao Senhor do universo, nosso coração renasce do pecado e ressuscitamos para a verdadeira vida, para a Vida Eterna. O Cristo é o nosso Salvador, aquele que nos conduz ao Pai e à Gloria do Amor e  da Vida Eterna. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A Vida Eterna

O que somos? Somos apenas um aglomerado organizado de células? Somos tão somente uma multitude de átomos e moléculas organizadas em células que se agrupam formando órgãos? Somos apenas a soma destes órgãos, destas células e destes átomos? Somos o nosso corpo? Quando a vida desaparece do corpo, nós morremos? É este o sentido de nosso existir, de nossa consciência? Um aglomerado fortuito, gerado ao acaso, de átomos sem consciência? Esta crença de que somos apenas seres mortais, finitos, têm consequências devastadoras para a alma. A  crença de que a vida se resume ao corpo e suas necessidades e desejos traz consequências destruidoras para o coração humano. Esta é a grande ilusão disseminada no mundo de hoje, esta é a grande crença difundida como verdade científica, com o selo e atestado de verdade inquestionável. Mas, reflexões mais profundas nos levam a questionar esta crendice do mundo moderno.

Ao refletirmos sobre nossa essência, sobre o que somos, identificamos que nosso pensar, que nosso sentir, que a nossa consciência não são objetos materiais, pois não são feitos de átomos, moléculas e células. Nosso pensamento, nosso sentimento, nossa consciência e nossas percepções mentais possuem uma outra natureza. Elas são imateriais. E, ao longo dos milênios da humanidade, os profetas têm nos ensinado que esse nosso ser imaterial é também imortal.

Para aqueles que sentem o coração tocado pelas palavras redentoras do Cristo, somos alertados e chamados para a Vida Eterna. Mas o que é a Vida Eterna? É a vida que não perece com a morte do corpo, mas é também a vida que não perece com a dor. É a vida na plenitude, é a vida repleta de significado, é a vida em Comunhão, é a vida inundada de Amor. O ser que encontra a Vida Eterna não sente mais as dores na alma, mas vivencia o júbilo, o gozo espiritual da Comunhão, da união com o Criador.

A Vida Eterna não é algo a ser encontrado somente após a morte do corpo físico. A Vida Eterna está ao nosso alcance a qualquer instante. Ter a Vida Eterna é estar com Deus no coração mesmo vivendo na realidade física, habitando o mundo material, imersos em corpos feitos de células, átomos e moléculas que irão perecer, que irão se desintegrar. Ainda assim, a alma que habita esse corpo e que se conhece filha de Deus, que ama a Deus sobre todas as coisas e que ama ao próximo como a si mesma, esta alma vive a Vida Eterna. É a vida imperecível do Amor e da Graça. É a vida consagrada na Glória, na Comunhão com o Amor do Pai. É a vida em Cristo, com Cristo e por Cristo.

Para aqueles que acreditam na crendice moderna, na ilusão contemporânea de que somos apenas um punhado aleatório de átomos e moléculas, de vida efêmera, essas palavras não fazem sentido algum. Mas para aqueles que sentem no seu coração pulsar a voz, o chamado do Cristo, para aqueles que sentem a presença inefável do Criador em suas vidas, em sua consciência e em seu ser, as palavras de Vida Eterna são libertadoras. Elas libertam da dor, da ilusão, do engano de nos acreditarmos criaturas lançadas no mundo sem propósito algum. Pois quando estamos conectados na vivência da Vida Eterna, tudo faz sentido. A dor que sentimos se torna apenas um obstáculo passageiro a ser superado com a Graça, com a Bondade, com a Misericórdia do Pai.


Que possamos todos viver juntos, em Cristo, na Glória do Pai e da Vida Eterna. 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Como falar de Deus?

Quando mergulhamos nosso coração na prece e sentimos a presença do Amor, quando sentimos a Graça e a Bondade de Nosso Pai e tentamos, posteriormente, expressar em palavras o que foi esta experiência, nos sentimos frustados, incapacitados de exprimir com a linguagem dos homens a experiência vivida com o coração no santuário da prece. Como falar de Deus? Como explicar o inexplicável?

Existem infinitas portas para se chegar à vivência de Deus no coração. Uma dessas portas de acesso é a contemplação da perfeição e da beleza do universo criado, do universo material que apreendemos com nossos sentidos e com nossa inteligência. O milagre das galáxias, das estrelas, dos planetas, o milagre da vida em todas as suas formas, o milagre da vida consciente, a perfeição do organismo humano... Nossa mente pode contemplar qualquer ser da criação e se maravilhar com a beleza e a perfeição de cada detalhe e da harmonia do todo. Deus nos concede a fome e o alimento que a sacia; o trabalho e o descanso; o prazer e a dor; a vida e a morte; os ciclos de evolução e de progresso.


Esse é  o sentido dos versos  iniciais da oração que o Senhor nos ensinou: “Pai Nosso, que estais no Céu, louvado seja o Vosso Nome”.  Nosso coração se enche de amor e de adoração pelo nosso Pai Criador, nosso coração, nas profundezas da prece, se enche de louvor à Fonte Criadora, ao Poder Supremo que gera a existência do universo em todas as suas formas e manifestações. 

Mas isso são apenas palavras abstratas e conceitos, sons jogados ao léu para aquele que não experiencia as delícias do coração em prece, o gozo espiritual, a vivência interior do Deus em seu coração. Por isso, as palavras da Salvação, as palavras da Bíblia, só comunicam seu significado ao coração que mergulha na vivência do Deus de Amor, do Deus único que tudo sustenta em sua Glória, em seu Amor e Misericórdia.

Que essas palavras, que essas meditações possam ser escutadas pelos ouvidos que sabem ouvir, pelos corações que escutam, sentem e que se deixam penetrar pelo Amor e pelo Espírito de Deus.