O coração que encontra Deus se dilata
de amor, de adoração, de gratidão. Encontrar-se com Deus nos prostra na
impossibilidade de guardar qualquer outro sentimento no coração que não seja de
louvor, de adoração, de amor. Ao abrir o coração para escutar a voz silenciosa
de Deus somente um sentimento invade o ser: o maravilhamento, o deslumbramento, o
êxtase diante desse poder indizível, indescritível. A oração é o momento em que
a alma abre o coração para ser tomado por este sentimento de adoração, de amor
e de louvor. Não há espaço no coração para nenhum outro sentimento, tudo se
transforma em graças, em gratidão indizível, em louvor, em adoração àquele que
é puro amor, bondade, justiça, sabedoria, misericórdia e paz. Todos os outros
sentimentos, em sua pequenez, em sua insignificância, se dissolvem, são
aniquilados, invadidos e tomados pela graça do amor. O amor a tudo, a todos. O
amor que nos torna Um com toda a criação, o sentimento que ao ser descrito em
palavras se limita, se restringe, pois é um sentimento anterior a qualquer
palavra.
Na vida em oração, esse sentimento
de amor, de adoração, está presente continuamente. A cada instante, tudo é
feito, tudo é pensado, tudo é dito a partir desse sentimento, deste estado de
comunhão. A vida em oração é a vida que flui, que pulsa, que vibra a partir do Amor de Deus. A oração alimenta a alma com o pão celeste, nutre o ser em suas profundezas
ao ampliar a conexão com o Amor Divino.
Na oração, as portas do coração são escancaradas e a presença do Pai de Amor é
sentida com maior intensidade. Mas ao retomarmos nossas atividades habituais do
cotidiano, nós facilmente fechamos as portas do nosso coração e nos
sentimos famintos, pobres, cansados, carentes. O esforço da vida em oração é o
de deixar a porta escancarada constantemente para que nunca mais se feche, para
que a vivência da graça, do amor, seja inabalável e constante. Mas as
distrações do mundo, os apelos da matéria, as necessidades biológicas chamam a nossa
atenção e, desatentos, deixamos as portas se fecharem. Por isso, a oração deve
se unir à vigilância, para que a sintonia do amor, para que a expansão do
sentimento, para que a abertura do coração permaneça sempre, pois essa é a
vontade do Nosso Pai que está nos Céus.
Se o ser humano, ao invés de
buscar tão desesperadamente, ansiosamente, o pão da carne, o alimento material, dirigisse, canalizasse esses esforços, essa busca, para o pão do espírito, o
mundo se transformaria por completo e a vida humana se tornaria uma vida santificada
na luz, na presença de Deus. Buscai
primeiramente o Reino de Deus e tudo o mais lhe será dado por acréscimo.
Infelizmente, o ser humano ignora os ensinamentos do Cristo e vive de maneira
oposta, buscando primeiramente o reino material, os seus prazeres e confortos,
acreditando que o reino de Deus lhe será dado por acréscimo, quando sobrar
tempo, nas horas vagas. Ou então, busca-se a Deus na dor, na aflição; quando as
necessidades materiais não conseguem ser atendidas, então, o ser humano
volta-se para Deus.
Tanto sofrimento seria evitado se
escutássemos e seguíssemos as palavras do Nosso Redentor: Buscai primeiro o Reino de Deus e sua Glória. E o Reino de Deus nós
buscamos inicialmente na oração. É através dela que temos a clareza e o
discernimento das ações, das palavras, das atitudes que devemos tomar no mundo.
Se não estivermos com o coração de portas escancaradas na oração, no louvor, no
amor, nossos atos e palavras, nossas atitudes não nos levarão ao Reino de Deus,
mas nos conduzirão ao reino dos homens.
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