O ser humano se apoia na razão, na força da argumentação, nos
silogismos, nos encadeamentos lógicos, para explicar o mundo, a existência e a
vida. Cheio de soberba, de arrogância, o ser humano se ilude na presunção de
conhecer e explicar o mundo e suas causas: “Para tudo, há uma razão lógica”,
dizem o cientista e o filósofo. A Razão se tornou um deus, adorado e venerado
como a fonte da verdade e da revelação que libertará o homem das trevas e da
escuridão das superstições da religião.
Quanta arrogância, quanta ilusão! A razão não tem começo nem
fim. O que é a razão? A razão não consegue explicar a si mesma, ela é impotente
para se explicar. A razão é como uma bolha de sabão que se expande, frágil,
efêmera até estourar nos seus limites e desaparecer. Qual é o sustento da razão?
Em que ela se baseia? Os seus alicerces estão em algo que é anterior e além da razão,
algo que lhe dá existência, que lhe dá fundamento. O ar que faz soprar a bolha
é o Espirito, é o Espírito que vivifica a razão. O Espírito é o começo e o fim.
A razão são bolhas efêmeras que nos levam para aqui e para lá, rápidas,
dinâmicas, mas que estouram nos limites da sua expansão.
Deus é maior que a razão. Deus sopra o Espírito que expande
a bolha. A razão não consegue tocá-Lo, experimentá-Lo. A lógica humana não dá
conta. Deus está além do âmbito da razão. Diante de Deus, a razão é impotente, incapaz.
O ser humano precisa se entregar, deixar a razão para aquilo que ela é própria,
aquilo para que ela existe, para o que ela funciona, para o domínio do mundo
material, das leis da natureza, dos processos físicos, químicos, elétricos,
magnéticos, dos encadeamentos da matéria. A razão é útil para o domínio da
matéria, mas é inútil na compreensão do Espírito. Para nos adentrarmos,
apreendermos, vivermos a verdade do Espírito, a razão não nos serve, ela
estoura como bolha frágil, incapaz de alcançar a imensidão, a extensão e a
força do Espírito.
Deus se revela para nós, seus filhos, de infinitas maneiras,
de diversas formas, para atingir e facilitar a apreensão de todos. As Escrituras são obra da magia Divina, onde
as palavras revelam a vida do Espírito de forma eterna, não pelas leis da
lógica e do raciocínio que servem ao mundo da matéria, mas pelas revelações do
Espírito que tocam o coração, que se mostram
no Silêncio das palavras, que expandem o Ser na Comunhão com o sagrado, na Presença divina que existe no Eterno agora do qual as parábolas, as palavras,
os versos e os fatos narrados nas Escrituras são como espelho a refletir o Eterno
para aqueles que têm ouvidos para ouvir e olhos para ver.
Nenhum comentário:
Postar um comentário