As verdades do Espírito só são compreendidas com o coração
que se entrega na humildade, na oração, na Comunhão com o Pai.
As palavras sagradas das Escrituras são escritas em códigos,
cobertas pelo viés da cultura de quando foram escritas, e possuem diversas
camadas para leitura e interpretação. A camada superficial é aquela do
significado literal das palavras. Aí ocorrem os erros de interpretação, os
desvios, as fontes de discórdia, de confusão, de desamor e de distorção da
mensagem dos Céus.
É preciso escutar as Escrituras para além da literalidade da
letra, escutar com o coração o sentido que a palavra aponta, o sentido que se
desvela. É preciso ter o olhar que sabe ver o
que está escondido atrás das camadas forjadas pela cultura, pelas tradições,
pelos sentidos etimológicos, pelas raízes históricas e contextuais
do texto. Por trás e além jaz o sentido e a Verdade viva que se revela.
A Escritura é objeto sagrado. Apesar de ser obra dos homens,
foi escrita em obediência, na inspiração do Pai Celestial para legar à
humanidade um portal de acesso às verdades perenes, além do tempo. A palavra da
Escritura, quando entendida verdadeiramente, nos conta a história do homem em
sua busca de si mesmo, a história de Deus em busca do homem, a história da
vida, a história da humanidade nas suas quedas e nas suas vitórias, a história
dos encontros e desencontros com o Pai amado, Criador de todas as coisas.
A Bíblia não é um texto para ser seguido literalmente,
obedecido com a cegueira do coração impuro, mas é uma janela que se abre para o
alto e para dentro. No entanto, é necessário ver o sentido além do verbo,
escutar a voz do Silêncio que nos fala ao coração através deste portal da Eternidade.
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